Aikido na UFRRJ

Aikido na UFRRJ O projeto aborda o problema da segurança e da violência sexual contra a mulher no campus de Seropédica, da UFRRJ, por meio da educação no aikido.

Querid@s Aikidōka’s, estes, abaixo, são os critérios para graduação da Midland Ki Federation, seguidos no Brasil pelos p...
26/06/2018

Querid@s Aikidōka’s, estes, abaixo, são os critérios para graduação da Midland Ki Federation, seguidos no Brasil pelos praticantes do Shinshintōitsu Aikidō. Em breve, aplicaremos os primeiros te**es, shokyu (de desenvolvimento de ki) e gokyu (5º kyu) a@s alun@s mais assidu@s :

GRADING. Ki Society
(Midland Ki Federation)
http://www.midlandki.org/MANUALS/testcriteria.html

RANK 5th Kyu (Shokyu Ki Test)

HOURS >30 hrs >3 months training

HITORI WAZA

1. Udemawashi
2. Udefuri
3. Udefuri Choyaku
4. Sayu
5. Sayu Choyaku
6. Ushiro Ukemi
7. Ushiro Ukemi to standing
8. Zenpo Kaiten (Mae Ukemi)

KUMI WAZA

1. Katatekosadori (kosa-tobikomi) Kokyunage
2. Katatetori Tenkan Kokyunage
3. Katatetori Ikkyo (Irimi & Tenkan)
4. Kokyu Dosa (all ranks)

RANK 4th Kyu

HOURS >30 hrs (since 5th Kyu)

HITORI WAZA

9. Ikkyo
10. Zengo
11. Happo
12. Zenshin-Koshin
13. Kokyu Dosa

KUMI WAZA

Katatori Ikkyo (Irimi & Tenkan)
Munetsuki Koteoroshi
Yokomen-uchi Shihonage (Tenkan-irimi, Tenkan-tenkan)
Shomen-uchi Kokyu-nage
Katatetori Irimi Kokyu-nage
Katatetori Kokyu-nage (Zenpo-nage)

RANK 3rd KYU (Chukyu Ki Test)

HOURS >30 hrs (since 4th Kyu)

HITORI WAZA

14. Fune-kogi
15. Nikyo
16. Sankyo
17. Koteoroshi
18. Shikko
19. Tenkan

KUMI WAZA

Katatori Nikyo (Irimi & Tenkan)*
Katatori Sankyo (Irimi & Tenkan)*
Katatori Yonkyo (Irimi & Tenkan)*
Yokomen-uchi Zenpo-nage
Ryote-tori Zenpo-nage
Katatetori (kosa-tobikomi) Koteoroshi

RANK 2nd Kyu

HOURS >50 hrs + 6 months after 3rd Kyu & Instructor’s Approval

HITORI WAZA

20. Kaho Tekubi Kosa
21. Joho Tekubi Kosa
22. Ushiro-tori
23. Ushiro-tekubi-tori Zenshin
24. Ushiro-tekubi-tori Koshin
25. Tobikomi Ukemi

One Taigi from #1 - 9

KUMI WAZA

Ushiro-ryotekubitori Zenpo-nage
Ushiro-katatetori Kubijime Sankyo-nage
Ryote-tori Tenchi-nage (Irimi & Tenkan)
Ushiro-tori Kokyu-nage (Zenpo-nage)
Ryote-mochi Kokyu-nage (Enundo)
Katatetori Kaiten-nage (Irimi & Tenkan)
Ryote-tori Zenpo-nage (3 arts)
One Person Randori

RANK 1st Kyu

HOURS >50 hrs + 6 months after 2nd Kyu & Instructor’s Approval

HITORI WAZA #1 – 20

Two Taigi from #1 - 9

KUMI WAZA

Zagi Handachi Shomen-uchi Kokyu-nage
Zagi Handachi Munetsuki Koteoroshi*
Zagi Handachi Yokomen-uchi Zenpo-nage
Munetsuki Kokyu-nage Zenpo-nage
Munetsuki Kokyu-nage Sudori
Munetsuki Kokyu-nage Kaiten-nage
Katatetori Ryotemochi Koteoroshi
Katatetori Ryotemochi Kokyu-nage (Hachi-no-ji)
Yokomen-uchi Koteoroshi (Enundo)
Yokomen-uchi Kokyu-nage (Hachi-no-ji)
Shomen-uchi Koteoroshi
Shomen-uchi Ikkyo (Irimi & Tenkan)
Ushiro-tekubi-tori Koteoroshi
Ushiro-tekubi-tori Ikkyo
Keri Waza (3 Arts)
Ushiro Ryokata-tori
Kokyu-nage (3 Arts)
Two Person Randori
Extra Techniques
* Katameru (Kneeling Pin)

RANK Shodan (Jokyu Ki Test)

HOURS >70 hrs after 1st Kyu & Instructor’s approval &
Chief Instructor’s approval

HITORI WAZA #1 – 20

3 Taigi from #1 – 15 (chosen by examiner)

KUMI WAZA

Yokomen-uchi (5 Arts)
Katatetori (5 Arts)
Ushiro-tekubi-tori (5 Arts)
Tanto-tori (5 Arts)
Ushiro-tori (5 Arts)
Ken Gi #1
Jo Gi #1
4 Person Randori

RANK Nidan

HOURS >120 hrs after Shodan & Instructor’s Approval & Chief Instructor’s Approval

HITORI WAZA #1- 20

3 Taigi from #16 – 23 (chosen by examiner)

KUMI WAZA

Munetsuki (5 Arts) Irimi Cut neck Irimi Atemi Hantai Tenkan Hachinoji Hantai Tenkan Ikkyo Irimi

Shomen-uchi (5 Arts) Zenponage Kaitenage

Tachi-tori (5 Arts) Shomenuchi kokyunage Yokomenuchi shihonage Munetsuki koteorochi Douchi kokyunage

Ken Gi #2
Jo Gi #2
5 Person Randori

RANK Sandan (Shoden Ki Test)

HOURS >2 years after Nidan
All above items
1 Taigi from #1 – 30 (chosen by examiner)
Shoden Ki Test
All of above showing consistency of mind and body coordination

16. Kaho Tekubi Kosa 17. Joho Tekubi Kosa 18. Ushirotori 19. Ushirotekubitori Zenshin 20. Ushirotekubitori Koshin + Tobikoshi Ukemi: jump roll

terremoto no Kōshinkan Dōjō, Ōsaka.
18/06/2018

terremoto no Kōshinkan Dōjō, Ōsaka.

05/05/2018

Querid@s Aikidōka’s, mais relatórios de aulas no Enshinkan Dōjō—desta feita, das aulas de um de meus favoritos, Sensei Morikawa (森川) :

terça-feira, 7:00–8:30 ; 10:00–11:30
15 fevereiro 2018

técnicas trabalhadas :

1. munatsuki koteoroshi
2. munatsuki ikkyo hantai tenkan
3. munatsuki koteoroshi hantai tenkan
4. yokomenuchi kokyunage
5. yokomenuchi irimi
nesta aula, como sempre, ou quase sempre, contrastou-se a forma errada com a forma correta, terminando-se a execução sempre com a forma correta.

aquecimento
os pés movem-se livremente quando o corpo desce, sem intencionalidade senão a do itten (“ponto um”) ; nas flexões abdominais para frente, com as pernas juntas, os pés movem-se naturalmente para fora ; nas flexões com as pernas separadas, movem-se naturalmente para dentro.
nas flexões para frente, os braços partem da linha dos ombros, esticados para frente, paralelos ao chão ; nas flexões laterais, a mão do lado para o qual se inclina o tronco segura o pé correspondente, enquanto a outra mão parte da mesma posição da qual partia nas flexões para frente.
na flexão para trás, em seiza, estica-se os braços, com o tronco, ao máximo para trás, alternando torções para os lados e alongamentos na linha do tronco ; a cada torção ou distorção, estica-se ao máximo o corpo, inclusive levando os joelhos em direção ao chão.

rolamento
o ushiro ukemi simples, balançando o corpo para frente e para trás, é feito com as pernas medianamente esticadas, ao se balançar para trás, porém juntas uma a outra ; a cabeça, no movimento para trás, jamais toca no chão ; o pé da frente, ao tocar o chão, não está nem demasiadamente próximo nem muito distante da virilha, sob o risco de bloquear o movimento do corpo quando este se ergue do chão ; o pé de trás, ao contrário, está bem próximo à virilha ; o corpo, ao se levantar, dirige-se para frente, não para cima, como se quisesse começar a caminhar, dando, a si mesmo, maior estabilidade.
o mae ukemi é feito com os punhos fechados ou semifechados, para dentro, *em silêncio* ; o joelho da perna de trás se aproxima, ou mesmo encosta, no chão, de modo a diminuir o ruído da queda ; a cabeça jamais encosta no chão ; as costas perfazem uma diagonal no chão, de uma escápula à lombar oposta (a escápula corresponde ao lado do braço que está à frente, sendo este o primeiro a encostar no chão) ; deve-se rolar como uma “bola” rente ao chão, como no boliche, não como a bola de futebol que quica no chão, nem como um “cubo”, com arestas e quinas que tornam o rolamento descontínuo.

desenvolvimento de ki
teste de ki no ombro, braço, antebraço e mão, para baixo ; orenai te (“braço indobrável”) ; o punho do examinando abre e fecha : o examinador testa o braço de examinando com o punho fechado, como que a desferir um tsuki, depois o testa com o punho aberto, atentando para a diferença.
o mesmo princípio do orenai te aplica-se ao braço que move uke, em seiza, como que o cortando com a “faca” da mão ; o movimento é de condução, não de conflito, como uma onda d’água que move uma pedra a fazendo rolar sobre si mesma ; o movimento de corte com a “faca” da mão é feito no ombro de uke, projetando-o para trás, bem como na nuca, para frente, conduzindo-o para trás e para frente.

munatsuki koteoroshi
uke aproxima-se velozmente de nage ; quando há conexão, pára ao chegar à distância (maai) correta ; se não há conexão, uke aproxima-se de nage demais.
três formas de tsuki :

a. soco curto demais ;
b. longo demais ; e
c. na distância correta, apenas o suficiente para “atravessar” nage.
uke desfere tsuki conectando-se com nage ; nage aplica teste de ki ao punho de uke ; quando não há conexão, é como se o punho desferisse o soco sozinho, deixando o corpo instável ; quando há, o braço pode se mover, mas o corpo permanece ancorado em seu eixo.
nage reage ao tsuki de uke com irimi ; é necessário manter a conexão com uke como um todo, não apenas com seu punho ou seu braço.
nage chega com a mão até o punho de uke, sem agarrá-lo imediatamente ; a “faca” de sua mão (os dedos mínimos) escorregam, desde o ombro de uke, por seu braço, enquanto nage mantém a conexão com uke continuamente.
ao fazer tenkan, nage não conduz uke a outra direção que não à do punho deste ; o movimento é para sua frente, uma vez que uke e nage estão em paralelo, na mesma direção do tsuki.
ao fazer koteoroshi, nage move o punho de uke para baixo, na direção do eixo corporal de uke.

munatsuki ikkyo hantai tenkan
hantai tenkan segue o movimento de zenshin koshin, nage simultâneo a uke, seguindo a direção de seu tsuki.
o corpo de nage gira com o braço de uke para trás, para cima e para frente, em direção ao próprio corpo de uke ; se girar em outra direção, perde-se a conexão.

munatsuki koteoroshi hantai tenkan
esse waza exige de uke um ukemi na direção à qual aponta nage ; nage precisa projetar uke na direção à qual seu próprio corpo aponta.

yokomenuchi kokyunage
com dois tanto’s, nage repete os mesmos movimentos de “corte” que fez com a mão, nos exercícios de desenvolvimento de ki, desta feita simultaneamente, conduzindo uke ao chão quando este o ataca com yokomenuchi ; o movimento de nage visa o corpo de uke, não o braço que o ataca, dando direção aos tanto’s, para conduzir a uke com estes.
repete-se o mesmo movimento sem os tanto’s, dando forma final ao waza.

yokomenuchi irimi
o erro comum neste waza consiste em nage “trombar” com uke, desconectando-se do ataque ; o correto é nage manter o foco no corpo de uke, abaixando-se e levantando-se em sua direção, como que fazendo uma onda.

quinta-feira, 10:00-12:30
22 fevereiro 2018

técnica trabalhada :

1. katadori ikkyo
Morikawa Sensei começou a aula com o que parece, cada vez mais, ser o padrão pedagógico do Shinshintōitsu Aikidō : com os princípios de ki, demonstrados em te**es os mais gerais, para fundamentar as aplicações posteriores as mais específ**as ; com a demonstração do ki como realidade objetiva, física, embora diretamente dependente da subjetividade, da psicologia.
hoje, tive o privilégio de ter como parceiro de treino a Nomura Sensei (na foto, à minha esquerda ; à direita, Morikawa Sensei) :
o treino começou com te**es de ki simples, em pé ; demonstrou-se que é possível relaxar mesmo mediante a pressão do examinador, conquanto o examinando mantenha seu itten (“ponto um”) livre, mantendo-se, por conseguinte, calmo ; que o braço e o ombro do examinando são resilientes ao movimento que lhes é impingido, sem que o corpo perca sua estabilidade.
o itten do examinando deve responder à interação imposta pelo examinador como um espelho d’água calma reflete o movimento das nuvens do céu, ou a ação do vento ; a resposta do corpo deve ser exatamente proporcional à intensidade do estímulo ; se o examinador impinge força em grau 1, a resposta do examinando deve ser em grau mínimo ; se impinge força em grau 50, a resposta será cinquenta vezes maior ; se for força em grau 100, será cem vezes maior, etc. ; a resposta não deve adicionar nada mais ao estímulo que a desencadeia.
com o examinando em orenai te (“braço indobrável”), com essa calma, o examinador tenta dobrar seu braço, em vão ; tenta empurrá-lo e puxá-lo, sem sucesso ; entretanto, quando puxa delicadamente pela pele da mão no sentido da ponta de seus dedos, deslocando o braço de seu eixo, no ombro, o examinador ativa a conexão com o itten do examinando, movendo seu braço facilmente ; este foi o princípio mais importante a ser observado nesta aula, na execução do kumi waza em questão, katadori ikkyo.
katadori ikkyo, como qualquer kumi waza (“técnica a dois”), começa com o reconhecimento mútuo de uke e nage, a dita “extensão de ki” ; é como se um sentisse a vibração do outro (pulsação do sangue, respiração, ondas cerebrais), a ponto de nage perceber, a partir da observação do todo, o início do movimento de uke ; o ritmo de uke e nage passa a ser um só, como um par de dançarinos ou um duo musical.
nage recebe a pegada de uke, em seu próprio ombro, em movimento simultâneo ao de uke ; entretanto seu corpo não recua, porquanto seu ki continua projetando em direção a uke ; o movimento de interceptação da mão de uke é para baixo ; o recuo com o pé de nage, ao mesmo lado do ombro que uke tenta segurar (o katadori é em giako hanmi), ocorre depois que nage segura na mão de uke e começa a conduzi-lo, simultaneamente com mão, pé e corpo, utilizando o mesmo princípio de extensão de ki testado em orenai te (condução com um leve toque na pele, na direção da ponta dos dedos da mão que ataca em katadori) ; mesmo quando nage não intercepta uke antes que este segure o kimono daquele, nage desvencilha-se de uke com um movimento de itten, levando as mãos de ambos na direção deste (para baixo).
o movimento de nage com a mão de uke, após o recuo de seu próprio corpo, conduzindo-a para baixo, ocorre primeiro no sentido dos dedos da mão de uke, a que tentou lhe agarrar ; depois, ocorre na direção de uke, em irimi ; o braço de nage é indobrável, para cima, segurando a mão de uke, ao passo que nage avança para cima de uke.
Morikawa Sensei interrompeu o kumi waza, neste momento, para explicar a importância da reação postural de uke ao avanço de nage, conforme se acabou de exercitar ; são feitos te**es de ki no corpo do examinando, primeiro em pé, tão somente ; depois com o braço levantado ; em ambos os casos, o examinando manterá a estabilidade do corpo, caso mantenha a calma no itten e a conexão deste com o resto do corpo ; entretanto, quando o examinando vira a mão (como ocorre, ao receber um ikkyo), sem mudar o kamae, perde a estabilidade ; para recuperá-la, precisa recuar com o pé do lado oposto à mão que virou (assumindo um kamae amplo, em hai hanmi, em ikkyo) ; este movimento, em ikkyo, irá resultar na torção de quadril de uke, em ikkyo, colocando-o na mesma direção que nage.
ao avançar em direção a uke, torcendo seus dedos e, por conseguinte, sua mão e seu braço, nage levanta o braço da mão que o segura ; entretanto o outro braço permanece ao longo do corpo ; é apenas quando nage leva a mão que segura uke para baixo, com um movimento vigoroso, que irá usar a outra mão para segurar o cotovelo do mesmo braço de uke.
ao torcer os dedos de uke (e, daí, sua mão, seu braço e todo seu corpo), nage aponta-os para a direção em que irá caminhar, à sua frente ; ao levar uke ao chão, apontará seus dedos para sua cabeça, fazendo um “curto circuito de ki”.
Morikawa Sensei terminou a aula fazendo os alunos repetirem todo o kumi waza dez vezes, a cada lado ; foi uma instrução impecável, pois permitiu a análise da razão de ser de cada movimento do waza, para concluir com a posterior síntese e fixação da repetição.

terça-feira
10:00–11:30*
1º março 2018

*faltei à aula das 7:00, pois, embora acordasse a tempo, estava “chovendo canivetes”, de manhã cedo. O Enshinkan Dojo f**a a vinte minutos… de bicicleta, de minha casa. Demais, hoje é dia de aulas ininterruptas até às nove da noite. Essa primeira aula de hoje, para mim, das 10:00 às 11:30, foi sonolenta ; mas minhas roupas estão secas e o estômago resistirá à fome até amanhã. É bom lembrar, também, que, assim como eu, Nomura Sensei faltou à aula mais cedo da manhã. Só às dez poderia ter, como de fato tive, o privilégio de tê-lo como tradutor, senpai e companheiro de treino.
o aspecto mais importante da aula de Morikawa Sensei, hoje, foi as diferenças posturais necessárias, sobretudo da posição do braço em relação ao tronco, conforme se muda a direção da palma da mão em relação ao eixo do corpo (e ao chão).
a maior parte dos princípios visaram à composição de ushirodori kokyunage (zenponage), gradualmente.

técnicas (waza) trabalhadas :

1. ushirodori kokyunage (zenponage)
2. katatedori ryotemochi tenkan kokyunage (enundo)
começou-se a aula com os te**es padrão de ki em pé, com o examinador aplicando seu peso com as duas mãos sobre os ombros do examinando e puxando-lhes as mãos, alternadamente, de cada lado ; mais importante do que a reação ou ausência de reação no corpo do examinando, era a impassibilidade de seu rosto ; o rosto denuncia sua capacidade ou incapacidade de transferir a tensão sobre o ombro, o braço, o antebraço e a mão para sua cintura e para seus pés.
o teste seguinte foi com a pressão para baixo imposta pelo examinador, com as duas mãos sobre a cintura do examinando ; este só consegue resistir à pressão, flexionando e esticando as pernas em um movimento vertical do quadril, enquanto é capaz de manter seu peso na parte anterior da planta dos pés ; quando o peso cai para os calcanhares, a tendência é de queda do examinando.
o mesmo teste anteriormente feito sobre as mãos do examinando, com seus braços ao longo do corpo, foi feito com pressão do examinador em direção a seus ombros, para cima ; depois, fez-se o mesmo teste com os braços do examinando paralelos ao chão, na horizontal (à maneira do “Cristo Redentor”) ; seus braços precisam formar um arco contínuo, ao longo dos ombros e das costas, para resistir à pressão do examinador.
ademais, a tensão nos braços do examinando leva-o, mediante a pressão do examinador, a levantar os ombros, perdendo a conexão entre esses braços e seu corpo ; a postura do examinando deve manter o peito alto, ligeiramente para fora : os ombros relaxados, ligeiramente caídos ; o queixo para dentro, a coroa da cabeça para cima ; a barriga ligeiramente para dentro, a coluna lombar expandida ; a atenção e a intenção da mente, concentrada entre o terceiro olho, o plexo solar e o itten (“ponto um”) para frente… como em posição de zazen.
a experiência mais interessante da aula foi feita enquanto o examinando girava a palma da mão, submetendo-se ao teste de extensão de ki a cada posição ; com a palma para baixo, conseguia resistir a pressões com os braços relativamente abertos ; com a palma perpendicular ao chão, precisava fechá-los um pouco, no ângulo que faziam com o tronco ; com a palma para cima, precisava fechá-los ainda mais.
o examinador percebe claramente, só de olhar, antes mesmo de colocar pressão no braço do examinando, se este resistirá ao teste ; é uma questão física, do examinando conseguir alinhar o vetor de força que o examinador impinge a seu corpo mediante pressão em seu braço ou não, conforme esse braço se alinha com e transmite a resistência ao corpo ou não, conforme mantém o ângulo com o tronco e o perfil arqueado com outro braço ou não.
Morikawa Sensei ressaltou a necessidade de manter a extensão de ki e a consequente estabilidade de braços e de corpo em udefuri choyaku ; uma forma de testá-lo é parar o movimento no meio do giro do corpo, antes de completar os 360° ; verif**ando se os braços, esticados, mantêm a mesma extensão de ki, mantendo o ângulo justo com o corpo de modo a perfazer o sobredito arco, ao longo de ombros e costas.
o mesmo vale para o movimento de ushirodori, em forma de hitori waza (“técnica individual”) ; há uma tendência ao braço de trás de nage se posicionar por demais atrás do ombro correspondente, na tentativa de projetar o uke imaginário, tornando o corpo instável ; é preciso que os dois braços perfaçam o arco único que permite sua conexão com o resto do corpo.
o movimento de udemawashi (hitori) waza, em sua verticalidade, também requer do braço que este assuma um ângulo correto em relação ao tronco ; especial atenção é devida a evitar a abertura excessiva do braço, que provoca instabilidade.
para completar o ushirodori, em kumi waza, há dois requisitos :

1. em primeiro lugar, exercita-se o movimento dos próprios braços do uke, a abraçar nage por cima dos braços destes, por trás, com nage “riscando um fósforo” na parte interna dos braços de uke (inicialmente, testara-se o movimento com uke e nage frente a frente, este “riscando” a parte interna do braço e do antebraço daquele com a “faca” de seus próprios dedos mínimos, conduzindo-o, em consequência ; depois, testa-se o mesmo movimento não conflituoso com a parte externa dos braços de nage na parte interna dos braços de uke, que o abraça) ;

2. em segundo lugar, nage dá um passo grande para frente, mas sem arrastar uke (o que o levaria dar um passo com a mesma perna, bloqueando o movimento) ; inclinando-se para frente, nage “dispara”, ou desencadeia o movimento de uke, “despejando-o”, ou projetando-o como se fosse um trampolim, ou a plataforma de lançamento de um míssil, com o mesmo movimento suave de “riscar o fósforo” descrito acima.
para completar, com o kumi waza de ryotemochi kokyunage (enundo), que é consequência do hitori waza de udemawashi, nage procura, mais uma vez, o ângulo correto para girar seu braço verticalmente, sem entrar em conflito com uke : para tal, precisa relaxar completamente e concentrar-se, como quem procura enfiar uma linha fina no buraco estreito de uma agulha.

classe regular
sábado, 15:15–16:45
3 março 2018

técnicas trabalhadas :

1. munatsuki koteoroshi
2. yokomenuchi shihonage
3. yokomenuchi makikomi
4. yokomenuchi hachinoji
5. katatedori ryotemochi kokyunage enundo
6. ushirotekubidori kubijime sankyo
as duas primeiras técnicas, primeiramente, foram trabalhadas sob a perspectiva do uke ; há três formas de cair, conforme a projeção que nage imprime à técnica :

a. a vertical, para baixo ;
b. a horizontal curta, torcendo o braço de uke para fora (em koteoroshi) ou projetando-o para frente (em shihonage) ; e
c. a horizontal longa (projeção ao longe, nageppanashi).
nos dois primeiros casos, uke cai em ushiro ukemi, para trás ; no terceiro, uke cai em zenpo ukemi (ou tobi ukemi, quando dá salto mortal), para frente.
uke deve sempre prestar atenção no corpo de nage, acompanhando o ritmo de sua movimentação, sob pena de, caso não caia para onde nage o projeta, machucar a articulação do cotovelo.
praticou-se as duas primeiras técnicas alternadamente, para se desenvolver a sensibilidade de uke ao tipo de queda necessária, conforme a amplitude e direção da projeção.
yokomenuchi makikomi, como o nome diz, é um “rolo” que nage faz de uke ; é uma variante de yokomenuchi hachinoji ; no segundo waza, depois de estender o ki de uke com os braços a preparar um udefuri choyaku, nage faz um kokyunage, projetando uke para baixo, para cima e para baixo novamente, conforme este segura sua mão ; no primeiro waza, o movimento de nage com uke é todo para baixo : depois de estender o ki de nage, conforme descrito, nage avança um passo como quem vai fazer shihonage irimi ; em seguida, faz um kokyunage curto, avançando em direção de uke (mas nem contra uke, nem em direção estranha a ele) ; e, segurando seu pescoço com a mão livre (que faz o papel de eixo de um círculo), gira uke consigo, com a mão que está segura ; o efeito é o da água de uma pia escorrendo pelo ralo, ou de uma verruma no chão.
a mesma variação entre movimento amplo e curto, o segundo envolvendo uke em uma espiral mais potente, está presente em duas formas de executar katatedori ryotemochi kokyunage enundo ; as duas variantes foram praticadas alternadamente, assim como se praticara yokomenuchi makikomi e yokomenuchi hachinoji de maneira alternada, a fim de comparar a mesma natureza da diferença (grau de amplitude do movimento) nos dois waza.
por fim, praticamos três formas de sankyo no ushirotekubidori kubijime, sem completar a técnica ; o objetivo foi avaliar o uke, mais uma vez, mais do que o nage, observando a eficácia do estrangulamento ; nos três casos, uke coloca-se mais para o lado da mão que segura o pulso de nage, para evitar tomar uma cabeçada para trás de nage ; para evitar tomar uma cotovelada, estica o braço de uke, o que está segurando, em direção ao centro do corpo deste.

1. no primeiro caso, uke consegue estrangular nage e puxa-o para baixo ; para tal, é preciso esticar bem seu braço pelo pulso, de modo a criar a tensão nesse braço, que o estrangula.

2. no segundo caso, nage consegue abaixar a cabeça antes que uke o estrangule, protegendo o pescoço com o queixo ; mas a quebra do fluxo de ki para sua cabeça torna-o ainda mais vulnerável a que nage o derrube para trás (conquanto estique seu braço, da mesma forma em que o fez no caso anterior).

3. no terceiro caso, nage é rápido o suficiente para sair para o lado em que uke segura seu pulso e segurar-lhe a mão em um sankyo.
os três casos de ushirotekubidori kubijime trabalhados, pois, expõem um gradiente de rapidez com que nage consegue reagir ao ataque de uke, assim como as contrarreações disponíveis para uke em cada caso (não muitas, no terceiro caso…).

04/05/2018

Querid@s aikidoka's, apresento-lhes as aulas de Nomura Sensei (野村), que assisti do Enshinkan Dojo, no intervalo de um mês, no início do ano. Estarei em Curitiba, nos próximos dias, repassando isso e algo mais do que aprendi em Tóquio aos Sensei's do Shukikan Dojo. Trabalhamos algo dessas aulas na UFFRJ, recentemente. Quarta estarei de volta a nossos treinos.

Yūki Nomura Sensei :

classe regular
terça-feira, 19:30–21:00
27 fevereiro 2018

técnica trabalhada :

1. tenkan (literalmente, a capacidade de mover o oponente com a intenção da mente traduzida em movimento de quadril)
a aula começou com te**es de ki básicos, a três, com o examinando ao meio, de pé, sofrendo pressão simultânea nos ombros, nos braços, nos antebraços e nas mãos dos dois lados ; em orenai te ("braço indomável") ; e, sobretudo, com o braço indobrável, fazendo movimento de flexão e de abaixar o braço ; a ênfase foi na diferença que faz o sentimento de conexão dos braços com o itten ("ponto um"), estendendo o ki através da ponta dos dedos e além.
em seguida, experimentou-se a capacidade do examinando puxar o examinador pelos braços, cujas mãos seguram seu próprio braço (ryotemochi), trazendo este para seu itten ; o examinando estabelece a conexão estendendo o ki pelos dedos mínimos, do itten à ponta dos dedos dos pés e através dos braços, puxa o braço pelo corpo com um passo para trás, com o pé ao lado que está seguro. esticando o braço ; e move-o, trazendo-o para o itten e arrastando o examinador, com um movimento circular de quadris, movendo-se de uma posição contrária para um alinhamento com a direção deste.
o mesmo exercício foi feito com vários examinadores, um segurando o examinando pelo braço em ryotemochi, os demais segurando a este e uns aos outros, em fila indiana, pelas cinturas ; o examinando faz o mesmo procedimento descrito anteriormente, levando os examinadores a seguir sua intenção.

(. em minha experiência, é preciso, conscientemente, evitar o movimento contrário entre examinando e examinadores, o conflito de intenções, o “cabo de guerra”, com uma intenção menos linear e mais circular, para baixo e para cima ; Nomura Sensei, entretanto, enfatizou o movimento persuasivo do examinando, “convencendo” os examinadores com sua intenção corporal, sua mente no itten.)
novamente dois a dois, fez-se um movimento semelhante a ryotedori kokyudosa, porém em pé, com o nage conduzindo a intenção do uke, girando o quadril e puxando os braços com este, para trás ; daí voltando o movimento em um pêndulo, conforme seu próprio ritmo ; nage deve evitar dobrar seus braços e levantar seus ombros, sem, no entanto, evitar o giro de quadril ; nem deve, tampouco, fixar seu olhar em uke, esquecendo que quem conduz o movimento é o próprio nage.
os mesmos princípios aplicam-se ao tenkan clássico.

classe regular
terça-feira, 14:00–15:30
6 março 2018

técnica trabalhada :

1. munetsuki koteoroshi
hoje foi dia de mais uma aula extremamente didática por parte de meu amigo, cicerone de zazen e sensei de Shinshintōitsu Aikidō, Yūki Nomura ; Nomura Sensei é egresso de uma graduação em budismo na universidade Keio, onde, desde os dezenove anos, praticou mais Aikidō, com o próprio Shinichi Tohei, do que se aprofundou estudos teóricos, tendo estes como consequência daquele ; escolheu, verdadeiramente, o “caminho estúpido” do zen budismo—que, longe de ser estúpido, se baseia e resulta em uma forma corporal, embora não dualista, de inteligência.
Nomura Sensei segue o mesmo esquema dos alunos de Shinichi Tohei Sensei ; o método consiste em aplicar teste de ki com ênfase em algum princípio básico, contrastando a forma errada com a forma certa de executá-lo, para daí trabalhar cada detalhe do kumi waza, começando, eventualmente, com algum hitori waza em que se trabalha esse detalhe ; começa-se o kumi waza propriamente dito, via de regra, com a parte que cabe ao uke ou ao maai ; por fim, depois de se trabalhar cada movimento do kumi waza, executa-se a técnica completa.
os te**es de ki, pois, começaram por enfatizar a extensão de ki até a ponta dos dedos, ao passo em que os ombros relaxam, alongando-se para baixo, enquanto a cabeça estica para cima ; o olhar visa ao horizonte amplo, não a nenhum ponto fixo e próximo ; os ombros, pois, não se contraem.
lembrei a Nomura Sensei (que usa, fora da aula, lentes bem grossas nos óculos), que os ombros e a cabeça alongados são a antítese do que tendemos a fazer na leitura, debruçados sobre um livro ou em frente a uma tela de computador ; ele respondeu que não há preocupação, no Shinshintōitsu Aikidō, em alongar a cabeça com o cocoruto para cima e o queixo para dentro, como no zazen ; porque esta se alinha naturalmente, quando o corpo se apruma com o peso para frente.
o primeiro aspecto hitori, “individual”, do kumi waza, “técnica a dois”, trabalhado em aula foi o giro ao estilo zenpo waza, o ikkyo (hitori waza) com giro de 180°, mas sem o levantamento dos braços ; em seguida, faz-se o mesmo giro em uma única contagem para cada sentido diametral ; o peso do corpo precisa passar para o pé da frente do kamae, até o ponto do giro, repetindo-se o processo no sentido oposto ; desenvolve-se a sensibilidade do dedão do pé da frente no chão, para se fazer o giro.
o segundo aspecto hitori foi trabalhado a dois, mas segue o mesmo princípio do ikkyo acima descrito : o ataque de uke em munatsuki, “soco no peito”.
tratou-se o maai do soco, simultaneamente ao passo para frente (como, no kendō, o isoku itō maai : é o maai de “um passo, um golpe”) ; ao invés de se dar o passo e socar, o movimento do soco e do passo é um só ; é necessário, pois, que uke se aproxime o suficiente de nage para socar ef**azmente, invadindo a “zona de segurança” de nage.
em seguida, trabalhou-se, conforme o precedente de aulas anteriores, a pegada do soco para o koteoroshi : os dedos mínimos de nage acompanham o movimento do braço de uke desde o ombro até os dedos mínimos deste, estendendo seu movimento até o ponto em que o conduz da linearidade à circularidade, em uma moção de unif**ação entre nage e uke.
o koteoroshi, em si, difere do kotegaeshi porquanto é um movimento que não contraria a direção de uke, mas aproveita seu ímpeto, que vem da linearidade para a circularidade, para conduzi-lo para baixo e para o chão ; é necessária, pois, sensibilidade, tanto de nage para com uke (de perceber a direção para a qual este tende) quanto de uke para com nage (de perceber para onde este quer arremessá-lo) ; conforme a natureza do arremesso, uke cai em ushiro ukemi e nage faz katameru (“chave de braço”), ou cai em mae (zenpo) ukemi, nage o arremessando longe (nageppanashi).

classe regular
terça-feira, 19:30–21:00
6 março 2018

técnicas trabalhadas :

1. katatedori tenkan kokyunage
2. yokomenuchi zenponage kokyunage
3. yokomenuchi koteoroshi
seguindo o mesmo esquema didático da aula da tarde (e de todas as aulas), Nomura Sensei começou a da noite por desenvolver, por meio de te**es de ki, a sensibilidade da ponta dos dedos das mãos, nos te**es a três, com os dois examinadores pressionando os ombros, braços, antebraços e mãos do examinando ; é como se quisessem “acordar” a mente deste, aguçando o tato nas mãos de um cego, estimulando seu sistema nervoso e as correlações fisiológicas correspondentes.
o segundo teste de ki, além de puxar os braços do examinando pelas mãos, procura levantá-los para que se veja a reação dos ombros ; se estes se levantam também, porém independentes do corpo, há contração muscular ; não deve haver resistência do corpo, porquanto seus próprios braços o movem, como partes intrínsecas dele.
o teste seguinte, de levantamento do braço indobrável (o "braço ilevantável"), segue o mesmo princípio : a pressão exercida não é sentida no braço, nem no ombro, mas no centro do corpo e nos pés—que é, ao fim e ao cabo, o maior ponto de apoio do corpo do examinando ; se ocorre da pressão do examinador para levantar o braço ser demasiado forte para o peso do corpo, o corpo todo sobe, não apenas o braço.
em sayu (hitori waza), aplica-se o mesmo princípio ; ademais, Nomura Sensei fez questão de praticá-lo em grupo, mostrando, de maneira mais explícita, o quanto abaixa o corpo, girando o quadril, bem como o pé do lado oposto ao da direção do sayu, em sentido oposto ao das mãos e braços estendidos.
o primeiro kumi waza em que se aplicou o princípio do “braço ilevantável”, com o hitori waza sayu, foi katatedori tenkan kokyunage ; Nomura Sensei lembrou-me, como já o fizera Nihei Sensei, que não há recuo de pé no sayu final do kumi waza, mas apenas um movimento do tronco de nage para baixo, jogando os braços entre as pernas e levantando-os, como no quarto movimento do taiso (oneness rhythm exercise), para daí levar o centro, com os braços, para o lado aonde cai uke, girando o quadril e movendo o pé conforme descrito acima.
o segundo kumi waza a aplicar o mesmo princípio de extensão do ki através dos braços é yokomenuchi zenponage kokyunage ; tanto nage, fazendo um ikkyo para frente (hitori waza), quanto uke, atacando-o em yokomenuchi, estendem ki pelos braços e através da ponta dos dedos.
o ikkyo foi trabalhado em grupo, como o sayu, anteriormente, chamando-se a atenção, como em aula anterior de Morikawa Sensei, para o modo como os pés se movimentam, à medida que o corpo desloca o peso de trás para frente e vice-versa.
a recepção do yokomenuchi, pelo nage, é um ikkyo em hitori waza, para frente, embora com o deslocamento do pé invertido (correspondente ao braço da frente, mas para trás), para dar espaço à passagem de uke ; entretanto, como me mostrou Nihei Sensei, meu senpai neste momento da aula, o deslocamento de nage com o passo para trás é feito em uma diagonal, seguindo a rota do yokomenuchi de uke.
as mãos de nage, estendendo o ki, convergem com o ataque de uke, evitando o conflito com o yokomenuchi ; antes, apontam o caminho não conflituoso para onde a mão de uke deve seguir, projetando seu corpo.
o último kumi waza trabalhado na aula de hoje, yokomenuchi koteoroshi, segue os mesmos princípios de zenponage kokyunage, com nage cruzando as mãos no braço do atacante, quando este desce em yokomenuchi ; as mãos de nage recebem, em ikkyo (hitori waza), o braço de nage, mas agora o seguem para baixo ; é em baixo que a mão de dentro, em relação ao corpo de uke, faz um círculo de cima para baixo, no mesmo sentido da outra mão, que há de segurar a de uke para levantá-la e levar à aplicação do koteoroshi para baixo (kote é “pulso” ; oroshi é “para baixo”, como em kirioroshi, “corte para baixo”).

classe regular
quinta-feira, 7:00–8:30
8 março 2018

técnica trabalhada :

1. katadori ikkyo irimi
aula original, no trabalho de desenvolvimento de ki, ao princípio ; os te**es regulares, em pé, enfatizaram a conexão do corpo com a ponta dos pés, por meio da postura correta, com o centro de gravidade à frente ; quando o apoio do corpo está sobre os maiores artelhos, a resistência é sentida como apoio do corpo em movimento para cima, de reação do chão à força da gravidade, alongando os braços, ombros, pescoço e cabeça ; a sensação é de relaxamento do examinando, não de contração tensa.
a originalidade nos te**es de ki esteve presente quando se colocou o examinando no centro de um círculo de examinadores, que o empurravam de um a outro ; primeiro, testou-se a diferença entre uke colocar seu peso embaixo, muito mais estável, e deixar o peso na parte de cima do corpo ; depois, testou-se a diferença entre a extensão de ki pelos dedos, estabilizando o corpo de uke, e a ausência dela, gerando instabilidade.
o hitori waza mais importante da aula foi ikkyo, de novo ; mas, agora, sobretudo no que toca o momento correto de realizar a contagem, simultânea à projeção do corpo e dos braços para frente e para trás ; o comando da voz determina o movimento do corpo, levando o itten para baixo.
vale notar que, no ikkyo (hitori waza), o comando da voz na contagem é simultâneo, não anterior ao movimento, como é o caso do rolamento simples para trás (ushiro ukemi), feito a cada aquecimento de início de aula.
o ikkyo em hitori waza é sobremaneira importante para a realização do ikkyo em kumi waza, quando nage alonga o braço de uke, na direção de seu ki, redirecionando-o para trás, para baixo, para frente, para cima e para baixo de novo, voltando o braço de uke para si mesmo e para o chão.
outros exercícios preparatórios para o kumi waza desta aula incluíram um treinamento para uke, em que se trabalhou a diferença entre um katadori “burocrático”, no qual uke se preocupa apenas em colocar a mão na gola de nage, e o katadori com intenção agressiva, contra o oponente como um todo ; bem como o exercício da diferença entre duas pessoas, caminhando uma de encontro a outra, apenas com o foco uma na outra, com a intenção, inconsciente ou não, do encontrão ; ou com as duas mantendo a atenção absorta, cada qual, em si mesma, como que a mexer no próprio celular ; ou, por fim, com uma delas (o nage), mantendo o foco em sua própria direção, a qual consegue manter, a despeito da outra (o uke) ter a intenção do encontrão ; nesse caso, e apenas nele, não há conflito.
outro exercício preparatório foi um randori em kakarigeiko, onde nage mantém sua direção, a despeito da rota de colisão de vários uke’s, correndo de encontro a si, um atrás do outro.
os exercícios seguintes fizeram parte do kumi waza propriamente dito, em foco na aula de hoje–katadori ikkyo irimi—, com atenção a seus fundamentos :

a. primeiro, experimentou-se o recuo de nage ante o avanço agressivo de uke ; o experimento resulta em fracasso para nage, que perde a iniciativa na condução do ki de uke, sendo assoberbado e quase atropelado por este ; em seguida, experimentou-se o não recuo de nage até que este “tire a poeira do paletó” na mão de uke, que o está segurando, ou tenta segurá-lo, em katadori ; para tal, outro praticante dá apoio atrás de nage, segurando suas costas ; o recuo deste só ocorre após ele segurar, com os dedos mínimos e o polegar, a mão de uke, conduzindo-a na direção de seu ki e perfazendo o círculo (ou “ômega”) que resultará no ikkyo (kumi waza).
o *hitori waza* ikkyo torna-se importante nesse momento, em que é necessário tirar a mão de uke como se esta fosse “poeira no paletó” de nage : o movimento deste visa não só a mão de uke, mas seu corpo como um todo ; do contrário, o movimento tornar-se-á insuficiente para trazer todo o corpo de uke para baixo, como preparação para o *kumi waza* ikkyo.
as demais instruções para katadori ikkyo reiteraram o que fora dito em aulas anteriores : nage conecta corpo e mente, para perceber uke, igualmente, como um todo ; em seguida, percebe a intenção e consequente direção de uke, para então poder conduzi-lo em sua própria direção ; a mão de nage não toma impulso, movendo-se para trás do corpo, como se nage estivesse prestes a mergulhar em uma piscina (vide a instrução de Nihei Sensei, meu senpai em aula anterior), mas visa particular e diretamente o ombro da mão que o ataca, acompanhando todo o movimento desse braço, até chegar a essa mão.

classe regular
terça-feira, 14:00–15:30
27 março 2018

técnica trabalhada :

1. yokomenuchi shihōnage
os exercícios de desenvolvimento de ki foram feitos a partir de princípios do zazen : não faça nada, não pense em nada, não reaja a nada ; ao mesmo tempo, faça, pense, reaja ; a ausência de ação não é passividade ; a consciência da existência não é mera introspecção ; ao mesmo tempo, mas ao contrário, é interação, consciência do meio, relação com o meio, até o autoesquecimento, que é a lembrança de quem se é, verdadeiramente.
testou-se, por exemplo, a necessidade de centrar os movimentos do corpo no itten do examinando, enquanto o examinador coloca todo seu peso no ombro deste ; de não se pensar, não obstante, o tempo todo, no itten, nem, por suposto, nas mãos que pesam sobre o ombro.
testou-se a reatividade do examinando a múltiplos toques do examinador, encostando a mão no peito, nas costas, no ombro e no braço daquele ; o examinando precisa reagir com naturalidade e intenção, não com movimentos deliberados ; como alguém que está consciente da presença de um mosquito, mas não se incomoda com ele.

Endereço

Universidade Federal Rural Do Rio De Janeiro
Seropédica, RJ

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