18/07/2026
Portugal é um país pequeno em número mas grande em várias áreas. Como treinador desportivo, o meu foco é apenas no desporto, sem ignorar o quão somos bons em todas as outras áreas.
Hoje o surf nacional esteve (novamente) de parabéns ao colocar duas atletas na final de um evento mundial, na África do Sul. Feito inédito que reflecte o excelente momento que vivemos ao qual continua, tristemente, a não ser devidamente reconhecido.
Não somos os únicos! Há muitas modalidades que continuam a ser absorvidas pelo futebol. Modalidades que, contra os canhões, marcham. E vencem! Modalidades que, com metade, dão o dobro.
E nós, surfistas, fazemos pódios ao mesmo tempo que se enaltece o atrelado do ministro ou a contratação de um jogador de futebol.
Não era preciso deixar de o noticiar mas, transmissões em directo sem conteúdos novos para nada acrescentar às notícias já por si gastas e nem uma menção às duas portuguesas na final? Tenho pena.
Tenho pena que de tão grandes, também sejamos tão pequenos.
Todos estes atletas, do judo ao atletismo, da canoagem à esgrima, do bodyboard ao surf e tantos outros, entregam as suas vidas ao desporto e representam as suas bandeiras com orgulho, sacrifício, empenho, determinação.
Atrás de pódios e medalhas, estão equipas de pessoas que fazem o que mais ninguém está disposto a fazer e fazem-no todos os dias. Muitas vezes para receberem uma palmadinha nas costas. E continuam. Todos os dias. Anos e anos. Contra críticas e opiniões. A favor daquilo que acreditam com o peso das suas próprias vidas e de uma bandeira que só vê futebol!
Parabéns aos surfistas portugueses que continuam a quebrar barreiras. Parabéns às suas equipas que continuam a hipotecar famílias. Parabéns aos familiares que sofrem juntos.
Que bonito que era, abrir-se o telejornal com uma boa notícia! Então se fosse de surf…