Personal Trainer de Boxe

Personal Trainer de Boxe AULA PARTICULAR DE BOXE
INICIAÇÃO E RECREATIVO

29/09/2025
16/09/2025

CASSIUS : AS LEIS DE CLAY
CAPÍTULO 1
Escrever sobre um gênio pode ser uma tarefa
inglória às vezes.
Digo isso porque o conjunto de fatores que
culminam na genialidade de uma pessoa na sua
área de atuação não são tão óbvios como muitos
imaginam, nem se resumem a clichês como: talento
ou dom. Inclusive, esse é um dos propósitos desse
meu relato, mostrar que a concepção que temos de
talento como a única ou principal explicação para o
sucesso de qualquer um é na maioria das vezes
superestimada. O talento "natural" então, como
muitos alegam, na minha modesta opinião, é quase
uma utopia. Acredito que a genialidade é sim o
resultado principalmente de 2 coisas: trabalho
incansável com o foco na melhoria contínua e uma
mentalidade inabalável.
Quando esses 2 ingredientes se combinam, o
resultado costuma ser algo muito acima da média.
Espero que, no decorrer desse meu registro, eu
possa destrinchar isso de maneira clara e
inequívoca para você, leitor. E a melhor forma que
encontrei para fazer isso foi enumerar algumas leis
que o gênio que eu conheci usou tão bem como
poucos antes dele o fizeram em sua trajetória de
extremo sucesso. Irei enumerar essas leis como leismentais e leis físicas, como um meio de suporte
para a minha "receita" do sucesso dita nas linhas
acima.
E o interessante é que essas leis foram estipuladas
ainda na adolescência por esse gênio, e o guiaram
com êxito em toda a sua carreira profissional.
Essa é a história das leis de um jovem que se
chamava Cassius Marcellus Clay Jr, e será narrada
por mim, seu irmão, que na época me chamava
Rudolph Arnette Clay.
Senhores, tenho então o prazer de lhes narrar as
Leis de Clay.
CAPÍTULO 2
Acredito que todo fã de boxe deve conhecer essa
história: como Cassius se envolveu com o boxe, mas
se por algum acaso você nunca ouviu, terá a
oportunidade de saber em primeira mão como foi a
partir de um relato de uma pessoa que estava lá: eu
mesmo, seu irmão mais novo.
Era o final de uma tarde de outubro de 1954, Cassius
estava pedalando a nova bicicleta que havíamos
ganho de nosso pai, e eu estava a tiracolo, um amigo
também nos acompanhava em sua bicicleta,
quando de repente uma forte chuva nos obrigou a
procurar um abrigo. Entramos às pressas no prédiodo Columbia Auditorium, no número 324 S da rua 4,
no centro de Louisville.
Lá estava tendo um evento, uma exposição com as
mais recentes novidades em eletrodomésticos, mas
para nós três, o que chamou a atenção foi a farta
distribuição de doces e guloseimas.
A chuva acabou durando a tarde toda, e lá por volta
das 19 horas é que conseguimos sair, e quando
chegamos na rua, para nosso total desespero vimos
que as 2 bicicletas não estavam mais onde as
havíamos deixado.
Corremos que nem uns loucos, para cima e para
baixo, na vã esperança de encontrá-las. Quando a
ficha caiu de que realmente tínhamos sido roubados
começamos a chorar.
Nossa bicicleta era muito nova, uma Schwinn
Cruiser Deluxe vermelha e branca, com para-lamas
e aros de cromo, pneus de banda branca e um farol
grande vermelho, em forma de foguete. Custou na
época 60 dólares, o que seria o equivalente a 500
dólares nos dias atuais. Sim, ela era a "Ferrari " das
bicicletas, e por isso o nosso pânico.
Entramos de volta no prédio do Columbia, e ao
saberem do nosso infortúnio, nos aconselharam a
falar com o policial que estava no porão do
auditório.
Descemos e nos deparamos com o oficial Joe Elsby
Martin, um patrulheiro branco, careca e narigudoque também era treinador de boxe. Era o seu dia de
folga, e ele estava treinando um grupo de
adolescentes brancos e negros.
A visão daquele ginásio, dos jovens socando o s**o,
se enfrentando em cima de um ringue acabou
exercendo um doce fascínio sobre o meu irmão. Era
a primeira vez que ele entrava num ambiente como
esse, e por um momento ele quase esqueceu do
motivo que o levou até ali. Foi somente quando
Martin nos perguntou o que queríamos é que
Cassius voltou à realidade.
Mas na mesma hora, todo o desespero de Cassius
havia se transformado em raiva, e furioso ele
prestou sua queixa à Joe Martin, dizendo que queria
encontrar a pessoa que roubou sua bicicleta e lhe
dar uma boa surra.
Martin achou aquilo bem engraçado, e após ouvir
pacientemente as bravatas de Cassius, disse:
- Você sabe lutar, rapaz?
Meu irmão então arregalou os olhos, e respondeu
prontamente: "Não".
Então Martin acabou fazendo o convite que seria um
divisor de águas na vida de Cassius e na história do
boxe:
- Bem, porque não volta aqui e começa a treinar?Naquele momento meu irmão entendeu que jamais
teria a bicicleta de volta, mas aquilo não importava
mais: seu coração já havia sido fisgado pela
adrenalina de se tornar um lutador.
CAPÍTULO 3
A primeira lei mental: Um objetivo principal
definido.
Poucos dias depois do episódio do roubo, Cassius
estava assistindo televisão e havia um programa na
TV local chamado os "Campeões do Amanhã ", onde
os adolescentes da região se enfrentavam em lutas
de boxe, e para sua surpresa lá estava Joe Martin de
pé no corner, ao lado de um dos seus lutadores.
Aquilo acendeu um sinal no cérebro do meu irmão.
E na semana seguinte lá estava ele de volta ao
ginásio de Martin. Decidido, como era com tudo na
sua vida, falou para o policial que desejava treinar
e se tornar um lutador. Joe não fez pouco caso, e no
mesmo instante o mandou calçar as luvas e subir no
ringue. No que foi prontamente atendido por
Cassius.
Em cima do quadrilátero meu irmão tomou uma
verdadeira surra do seu oponente, um rapaz mais
velho e experiente. Com cerca de 1 minuto de luta,
seu nariz já sangrava, sua cabeça doía e girava, edepois de um tempo, Martin fez sinal para que o
massacre acabasse.
Isso foi em outubro de 1954.
A experiência foi boa para ambos: Martin viu que
aquele menino não tinha medo de apanhar e
Cassius sentiu que, apesar da surra, conseguiria
com o tempo e treino dominar aquele esporte.
Aqui eu cito a primeira Lei Mental de Clay: ter um
Objetivo Principal Definido (OPD). Vivendo numa
época em que ainda havia muita segregação racial
na América, Cassius entendeu que o boxe poderia
ser um trampolim para uma vida digna para um
afro-americano. Uma vez dentro do ringue não
havia separação ou desigualdade entre brancos e
negros. A América já aceitava campeões pesos
pesados negros. Joe Louis foi o grande estandarte e
orgulho para toda a comunidade afro-americana.
E apesar de ter apenas 12 anos, meu irmão já nutria
o sonho de ser rico e famoso. Também havia
percebido quais eram suas limitações: na escola
tinha muita dificuldade com leitura, escrita e
números. O mundo acadêmico não era uma opção
viável. As artes também não o interessavam,
inclusive nosso pai era um pintor, e por diversas
vezes já havia tentado passar o ofício de sua arte
para Cassius, mas sem sucesso. Ele sabia que sua
aptidão seria para o esporte. E particularmente um
esporte individual, pois para o meu irmão não
bastava só ser rico, a fama também deveria vir juntono pacote. Além do mais, o futebol americano e o
basquete eram esportes atrelados a uma bolsa
universitária, o que deixava de ser interessante
para Cassius. Já o boxe, era de uma simplicidade
única, bastava entrar numa academia e treinar.
Quem usava a coroa dos pesos pesados se tornava
uma das pessoas mais importantes e populares do
mundo. Ali, naquele ginásio, com o nariz
sangrando, aos 12 anos de idade, Cassius Marcellus
Clay traçou o seu OPD: se tornar o campeão
mundial dos Pesados.
E é aqui que também friso a questão do talento.
Como disse no primeiro capítulo, muitos
superestimam o talento, outros já advogam a causa
do " dom natural", e sinceramente eu acho isso
muito engraçado. Pode ser até que em
determinados casos isso se aplique, mas eu vou
usar as palavras do próprio Joe Martin que não só
iniciou meu irmão no boxe como o acompanhou em
toda a sua carreira amadora:
‘Acho que ensinei o boxe para mais de mil meninos
ou pelo menos tentei ensiná-los. Cassius Clay,
quando começou a praticar, não parecia nem melhor
nem pior do que a maioria. Se os boxeadores
recebessem bônus pelo seu potencial como os
jogadores de futebol, não sei se ele teria recebido
um. Ele era apenas comum e duvido que qualquer
olheiro teria pensado muito nele em seu primeiro
ano. Porém, cerca de um ano depois, você pode ver
que o pequeno espertinho - quero dizer, ele semprefoi atrevido - tinha muito potencial. Ele se destacou
porque, eu acho que ele tinha mais dedicação do que
a maioria dos meninos, e ele teve a velocidade para
levá-lo a algum lugar. Ele era um garoto disposto a
fazer os sacrifícios necessários para conseguir algo
que valesse a pena nos esportes. Percebi que era
quase impossível desencorajá-lo. Ele foi facilmente o
mais trabalhador de qualquer criança que já ensinei.
'
Percebem? Não havia o menor traço de talento
incomum no primeiro ano de prática do meu irmão.
O seu diferencial foi ter o seu OPD. Isso lhe deu a
força mental necessária para pagar o preço e fazer
todos os sacrifícios requeridos para realizar a
melhoria contínua em sua área de atuação.
No decorrer deste relato, falarei outras vezes sobre
a importância do OPD, e posso até ser chato ou
repetitivo com esse tema, mas gostaria que
entendessem que foi graças a isso, que tornou tudo
possível na vida de Cassius. Com um OPD, sua vida
teve signif**ado e propósito. Todo o seu foco e
atenção estavam voltados para sua meta. Se você
estudar a fundo a vida de qualquer outro grande
realizador, em qualquer área, verá que essa pessoa
também teve um OPD a guiando na sua trajetória de
sucesso.
CAPÍTULO 4Lei Mental: Não dê atenção para o medo.
Cassius começou a praticar todos os dias desde
então.
Apesar de não enxergar nenhum potencial naquele
menino, Martin reconhecia o esforço e a dedicação
do meu irmão, e com apenas 1 mês de treino o
colocou para fazer sua primeira luta.
Seu adversário foi um rapaz branco da mesma
idade, chamado Ronnie O'keefe.
A luta em si se tornou histórica apenas porque foi o
primeiro combate daquele que se tornaria o maior
de todos, pois tecnicamente foi sofrível, 2 meninos
que mal conheciam os fundamentos do boxe
trocando socos em cima de um ringue. 3 rounds de
2 minutos. Meu irmão ganhou por pontos numa
decisão dividida. Se há algo para se destacar foi o
empenho não só de Cassius, mas de Ronnie
também, ambos lutaram com muita vontade de
ganhar. Mas como Martin disse, não havia ali
nenhum indício de que um prodígio do boxe estava
surgindo. Ninguém bateu nas costas de Cassius e
lhe disse que tinha futuro. Mas talvez seja esse o
diferencial das pessoas que tem o seu OPD: elas não
são influenciadas por fatores externos, nem
positiva, nem negativamente. Eu tenho certeza de
que se meu irmão perdesse aquela luta, elecontinuaria com seus planos, aliás, ele até treinaria
com mais intensidade se houvesse perdido. Quem
tem um OPD se torna uma pessoa imparável.
E algo me chamou muito a atenção nessa primeira
luta, e isso se repetiria anos a fio na carreira de
Cassius. Nos momentos que antecediam o combate,
meu irmão começava a f**ar frenético: fazia sombra,
série de abdominais e se tivesse alguém por perto
disposto a o escutar ele danava a falar em como iria
bater sem piedade no adversário, isso enquanto
andava de um lado para o outro. Ou seja, ele não
f**ava quieto um minuto sequer. Enquanto muitos
outros lutadores tiravam seus momentos de silêncio
e concentração, Cassius parecia ter aversão a isso.
E isso tem uma explicação: meu irmão morria de
medo antes de cada luta.
Pode parecer estranho, mas ele mesmo reconheceu
esse fato na idade adulta, inclusive quando
conheceu Bundini Brown, aquele que se tornou seu
fiel escudeiro ao longo dos anos, Cassius
confidenciou primeiramente a ele que era tomado
por um pânico terrível antes de cada combate.
Dessa forma, ao se manter em movimento
constante, meu irmão simplesmente não tinha
tempo para sentir medo. Ele não dava chances para
que esse sentimento o dominasse. Hiperativo,
Cassius jamais se sentiria confortável no silêncio ou
na solidão. E sabedor de que nossa mente pode nossabotar, ele não dava brechas que pudessem
alimentar o medo que sentia.
Talvez por isso, Bundini tinha conseguido tanto
espaço na equipe: ele também era hiperativo.
Enquanto estávamos no vestiário, esperando dar a
hora da luta, vocês precisavam ver a agitação que
Bundini criava. Não sei se sabem, mas ele foi o
criador do mais famoso bordão de Muhammad:
"Voo como uma borboleta, pico como uma abelha.
Você não pode atingir aquilo que não pode ver".
Ao ter Brown em sua equipe, meu irmão dava um
nocaute no medo em todas as suas lutas.
CAPÍTULO 5
Lei Mental: viva como se já tivesse conquistado o seu
OPD.
Como seres humanos, somos muito condicionados
pelo tempo. O ontem, o hoje e o amanhã podem
muitas vezes se tornar obstáculos intransponíveis
para muitos. Conheci pessoas com potencial
incrível, que tinham grandes sonhos, mas que se
achavam velhas demais para tentar realizar seus
objetivos, é como se o tempo futuro não fosse o
suficiente pra ajudá-las.... já outros vivem
eternamente amargurados com um passado que semostrou uma série de tentativas frustradas, e assim
f**am presas a memórias dolorosas.
Ter um OPD por sua vez, meio que altera a
percepção de tempo como o compreendemos.
Tudo vira um eterno agora.
Assim que Cassius traçou seu objetivo, ele começou
a se comportar como se já fosse um campeão.
Falava para absolutamente todas as pessoas com
quem se relacionava que seria o futuro campeão
mundial dos Pesados. Dava autógrafos pros amigos
assinando como campeão. Tratava o seu corpo
como o de um atleta, tinha a disciplina de exercícios
físicos de um adulto.
Na sua mente, só existia o Agora, onde ele era o
campeão. Alimentar esse pensamento gerou um
círculo virtuoso na sua rotina: cada vez que ele agia
dessa forma, mais certeza ele tinha sobre seu
objetivo, e essa certeza por sua vez lhe dava a
confiança para continuar vivendo dessa maneira.
A aplicação dessa lei por um jovem de 12 anos foi
bem especial de ser testemunhada por mim: na
idade em que os demais garotos se preocupavam
apenas com brincadeiras e em gastar energia, meu
irmão vivia num mundo totalmente diferente. Talvez
alguns pensem que isso seja um pouco cruel para
um adolescente, pois Cassius abriu mão da maioria
das coisas que um jovem dessa idade faz, mas o
contraponto também é bem interessante: como o
boxe se tornou seu OPD, ele aprendeu a amaraquele esporte. Realmente fazer o que você ama
torna tudo signif**ativamente mais "tolerável", não
uso a palavra fácil, pois sinto que isso seria
desmerecer todo o esforço não só do meu irmão,
mas de todos aqueles que alcançaram a excelência
e a maestria na sua área de atuação. Se tem algo que
posso destacar na carreira de Cassius, é que nada
veio com facilidade e talvez um dos grandes
fascínios que os gênios exercem sobre nós é que
eles fazem parecer simples a execução de sua
tarefa, mas isso é consequência de uma outra lei, a
lei da acumulação, que falarei em outro capítulo.
Outro ponto que destaco é sobre a valorização de
coisas que para os demais é tão corriqueira ou
banal e para meu irmão acabou se tornando um
artigo de" luxo": devido a sua intensa rotina de
treinos, nas poucas vezes que ele participava de
algum evento social, como uma festa, um baile ou
uma simples saída com os amigos na lanchonete,
ele desfrutava ao máximo aqueles raros momentos
de lazer.
Percebi que isso acaba nos dando uma outra
perspectiva sobre a vida, valorizar as coisas mais
simples e realmente ser grato por esses pequenos
momentos de prazer. Além disso, Cassius sempre
estava feliz, eu ouso dizer que ele era muito mais
feliz do que todos os outros jovens que viviam suas
vidas sem ter um compromisso com o futuro. Por
incrível que pareça, mesmo que a princípio os seusolhos estivessem sempre voltados para o amanhã,
ele vivia o presente com máxima intensidade.
CAPÍTULO 6
Lei Mental: O poder das afirmações positivas.
Essa lei pode ser considerada uma extensão da lei
anterior, mas ela por si só tem um efeito muito
poderoso na construção do caráter das pessoas, e
muitas vezes não nos damos conta disso. Na
realidade, conheci muita gente que infelizmente faz
uso das afirmações extremamente negativas.
Mas vamos lá.
As afirmações positivas sempre foram usadas por
meu irmão em conjunto com a forma como ele se
comportava, como um campeão, desde os seus 12
anos de idade. E um episódio em especial foi
marcante na sua vida, ocorreu quando ele voltava
de um treino, já tarde da noite.
Vou abrir aspas e usar suas próprias palavras:
"Começa a chover forte e estou com minha bicicleta
andando de cabeça baixa, ziguezagueando entre os
carros estacionados, até que passo por um com o
rádio ligado e ouço uma multidão urrar. Freio, faço
uma volta e paro para ouvir mais. Chego a tempo de
ouvir o locutor extasiado gritando: "E o ainda
Campeão Mundial dos Pesados, Rocky Marciano".Um calafrio passou pela minha espinha. Nunca ouvi
nada que me afetasse tanto quanto essas palavras:
"Campeão Mundial dos Pesados? De todo o mundo?
A partir desse dia, quero ouvir isso ser dito sobre
mim.
Fico ali parado, ao lado do carro, imaginando: "
Ainda Campeão Mundial dos Pesados, Cassius Clay."
Volto a pedalar, e continuo ouvindo a voz:
"Ainda...campeão mundial...Cassius Clay. "
A partir desse dia, Cassius começou a falar as
afirmações positivas para si, o tempo todo.
Falava para si, e óbvio, para todos ao seu redor.
Uma coisa bem legal sobre o uso das afirmações é
que com o tempo você começa a acreditar nelas, e
elas se tornam parte de suas crenças. Crenças são
poderosas justamente porque não duvidamos
delas.
Muitas pessoas acham isso um truque barato dos
livros de autoajuda. Mas ao estudar a vida dos
grandes campeões, poderá constatar que muitos
utilizavam essa técnica.
A princípio, pode ser que você mesmo não acredite
no que está afirmando, pode se sentir incapaz ou
inadequado para aquilo que se propôs a fazer, mas
o segredo é : continue utilizando essas afirmações,
enquanto prossegue no seu trabalho duro e com o
foco em melhorar continuamente.Meu irmão deu algumas declarações públicas bem
conhecidas sobre isso:
"É a repetição das afirmações que leva à crença. E
uma vez que essa crença se torna uma convicção
profunda, as coisas começam a acontecer."
E:
"Eu sou o maior. Dizia isso a mim mesmo antes de
saber que o era".
Sem dúvida, as afirmações positivas são uma
excelente forma de alimentar a busca do seu OPD.
CAPÍTULO 7
Lei Técnica: A melhoria contínua
Até agora falei sobre leis mentais, e é óbvio que se
elas não forem acompanhadas por ações, nada se
realiza. Mas as ações devem sempre ser
parametrizadas pela lei da melhoria consciente e
contínua.
Nesse capítulo vou ilustrar como isso se deu na vida
de Cassius em um episódio que se desdobrou em
tantas lições que espero que eu consiga transmitir
isso da melhor forma para você, caro leitor.
Quando Cassius lutou seu primeiro torneio do Luvas
de Ouro do estado do Kentucky ele perdeu de
maneira incontestável para um outro boxeador
negro. Aquela derrota ajudou a abrir seus olhos. Ao
invés de se sentir frustrado, ou de duvidar de simesmo, ele procurou aprender com a perda. Ele
sentiu que deveria melhorar suas habilidades.
Cassius sabia que o boxeador que o venceu fazia
parte de um grupo de atletas do Grace Community
Center, um ginásio de boxe na parte da cidade
destinada somente aos negros, que era dirigida por
um treinador chamado Fred Stoner. Esses rapazes
eram boxeadores melhores que os que treinavam
com Martin, eram bons contra golpeadores, tinham
melhor ritmo, seus socos eram mais fortes.
Mas, havia uma regra estipulada por Martin: seus
atletas não poderiam ter contato com Stoner. Ele
também não permitia que a equipe de Stoner
participasse do programa "Campeões do Amanhã".
Meu irmão recebia 4 dólares a cada luta que
realizava nesse programa, e esse dinheiro
realmente fazia uma diferença na sua vida. Ele não
poderia se dar ao luxo de abrir mão desse
pagamento.
Assim, meu irmão decidiu arriscar: foi até o ginásio
de Stoner, comigo aliás, para conversar com ele.
Chegando lá, constatamos que as condições físicas
do ginásio eram em tudo inferiores se comparadas
aos de Martin: o local, a estrutura, a qualidade dos
equipamentos. Mas o material humano era
absurdamente melhor. Os atletas eram mais
encorpados, os treinos mais puxados e com mais
intensidade. Os boxeadores exalavam uma
autoconfiança notável. Cassius ficou encantado.Conversou com Stoner e explicou seu dilema: sabia
que sob a orientação de Fred poderia desenvolver
seu boxe, mas ao mesmo tempo não tinha como
abandonar Martin.
A sinceridade e o fogo nos olhos do meu irmão
devem ter convencido o velho treinador: ele
aceitou que Cassius treinasse lá na parte da noite.
Assim, a rotina daquele jovem ficou ainda mais
puxada: escola na parte da manhã, de tarde
prestava serviço numa escola católica, às 18
treinava no ginásio de Martin até às 20, e
imediatamente ele se dirigia para o porão de Stoner
onde treinava até à meia-noite. Todos os dias da
semana eram assim. A Lei da melhoria consciente e
contínua aliada ao OPD formaram as bases para o
sucesso do meu irmão.
CAPÍTULO 8
Lei Técnica: Domine o básico antes de passar para o
estágio seguinte
A decisão de Cassius de treinar com Stoner se
mostrou acertada. O treinamento era muito intenso
e somente lá foi que o jovem desenvolveu outra lei:
Domine o básico antes de passar para o estágio
seguinte.No ginásio de Fred a disciplina era severa. O
trabalho técnico era como uma religião e o velho
treinador procurar desenvolver certos músculos
em Cassius que ele julgava necessário para a
sobrevivência no ringue. Ele exige que meu irmão
desferisse 200 socos de esquerda, sem parar. Se
caso meu irmão cansasse, ele era obrigado a
recomeçar do zero. Em seguida, lançava mais 200
socos de direita. Todos os tipos possíveis de golpes
eram treinados dessa forma: jabs, diretos, uppers,
cruzados.
Na sequência Cassius emendava mais uma
sequência de exercícios calistênicos. Não havia
descanso. Foi lá que Cassius adquiriu sua
mentalidade para os exercícios físicos extenuantes,
onde ele declarava: "quando se trata de abdominais
ou flexões, eu só começo a contar a partir do
momento em que começo a sentir dor". Todo esse
rigor espartano logo começou a dar resultados:
meu irmão passou a vencer suas lutas com mais
facilidade.
O treino de Fred, baseado na intensa repetição e
ajuste de cada golpe deu ao meu irmão a segurança
de dominar o básico do boxe. Além dos golpes,
Stoner também era incansável em treinar as
habilidades defensivas de seus atletas. Ser capaz de
se esquivar, o momento certo de contra-atacar. Sob
a sua tutela, o progresso de Cassius foi notável. Isso
aumentava ainda mais sua confiança, e tornava o
seu OPD cada vez mais palpável.Ter dominado o básico do esporte deu ao meu
irmão a possibilidade de focar nos seus pontos
fortes a fim de se diferenciar dos demais e isso nos
leva a uma outra lei.
CAPÍTULO 9
A partir do momento em que se sentiu mais
confiante em cima de um ringue, Cassius focou em
desenvolver o seu próprio estilo. Isso o fez
desenvolver a seguinte lei técnica: tire o máximo
proveito de todos os seus atributos físicos.
De acordo com seu biotipo, ele entendeu que seus
braços e pernas longos poderiam moldar seu estilo
de luta, logo o mais inteligente a se fazer seria tirar
todo proveito disso. Cassius começou a fazer
experiências nos treinos, se conscientizando sobre
o alcance máximo da sua envergadura, e
verif**ando em que posições lhe permitia atingir
sem ser atingido. Em como lutar em todos os
espaços dentro do ringue: no centro, nos cantos,
nas laterais. Ele estava sempre perguntando a si
mesmo: como posso me diferenciar dos demais?
Isso era o resultado da lei da melhoria consciente e
contínua com a lei de tirar o máximo proveito de
seus dotes físicos. Assim, ele viu que se pudesse se
movimentar como um peso leve aliado à sua
envergadura e velocidade se tornaria um boxeador
inigualável. Para isso, Cassius usou como referênciao grande Sugar Ray Robinson, peso leve que se
movimentava constantemente ao redor do ringue, e
é considerado pela imprensa o melhor boxeador
peso por peso de todos os tempos.
Velocidade, alcance, movimentação. O estilo de
Cassius começa a tomar forma.
CAPÍTULO 10
A última lei técnica resolvi deixar para a parte final,
pois acredito que será melhor explicada quando
meu irmão estiver em cima de um ringue, e ali no
pleno exercício de suas atividades físicas essa lei
poderá ser melhor compreendida.
O ano é 1958, Cassius está com 16 anos, 4 anos com
uma promissora carreira amadora, já tendo
realizado dezenas de lutas e colecionado alguns
títulos importantes. As pessoas mais próximas a ele
já começam a levar fé no seu potencial e nas suas
bravatas de que seria campeão mundial. Uma coisa
interessante de quem possui um OPD é
simplesmente não se deixar levar pela opinião
alheia. Quando começou, lembram o que eu disse
sobre Cassius não ter nenhuma aptidão natural para
o boxe? Pois é, se não fosse o seu OPD, naquele
primeiro ano provavelmente ele teria desistido.
Ninguém o encorajou, muitos inclusive tentaram
dissuadi-lo da ideia de prosseguir no boxe, atémesmo Joe Martin fez isso nos primeiros meses,
podem imaginar? O que manteve meu irmão focado
foi a sua decisão. Esse é o poder de um OPD.
Bom, voltando ao assunto, Cassius resolveu se testar
com um dos maiores encrenqueiros da região, um
rapaz chamado Corky Baker.
Baker era considerado o cara mais casca grossa das
redondezas. Ele tinha uma força física fora do
comum. Trabalhava como segurança numa taberna
e ninguém ousava mexer com ele. Era daqueles
tipos que se você passasse no mesmo lado da
calçada onde estava, ele lhe cobraria um pedágio
para passar, e caso você não tivesse o dinheiro ou
se negasse a pagar, tomaria uma surra.
Meu irmão já havia tentado lutar com ele 3 vezes no
passado, na rua, e em todas as ocasiões havia sido
massacrado por Corky. Isso o incomodava, mas
conforme o tempo foi passando e suas habilidades
sendo aprimoradas, Cassius quis resolver essa
pendência.
Além disso, ele achou que se colocasse sua técnica
à prova contra Baker poderia aumentar ainda mais
sua fama e reputação. Então Cassius o desafiou para
uma luta de boxe. Corky nunca tinha subido num
ringue, mas tinha certeza de que poderia dar conta
de um falastrão como Cassius. Sua experiência com
brigas de rua, nocauteando homens mais fortes e
mais velhos lhe deu a segurança de que poderia
facilmente calar a grande boca de Cassius.A luta seria transmitida no programa Campeões do
Amanhã e gerou um grande frenesi no público,
sendo comparada em expectativa à sua primeira
luta contra Frazier anos depois.
A repercussão do combate foi tal que se
organizaram grandes grupos de aposta. Não havia
favorito, a cidade estava dividida. Pode-se dizer
que esse foi o primeiro grande evento do meu
irmão. Assim, essa luta seria um excelente teste
para o que o aguardava nos anos vindouros.
CAPÍTULO 11
Chega o dia da luta.
Cassius sobe ao ringue, encara Corky e depois da
apresentação das regras, a luta tem início. Serão 3
rounds de três minutos. Sem capacetes. Luvas
profissionais. Tudo tem o ar de um combate pelo
título, e não deixava de ser, já que o vencedor se
tornaria o real rei da cidade.
Então começa o primeiro round. Cassius toma o
centro do ringue, mas não ataca, f**a saltitando ao
redor de Baker, esperando, com as mãos baixas.
Essa postura característica de meu irmão foi
desenvolvida quando ele começou seus treinos
com Fred Stoner, e era até incentivada por ele. Joe
Martin no entanto, f**ava louco da vida, pois a noção
mais básica do boxe é: sempre tenha a guarda alta.Se proteja o tempo todo. O ato de Cassius lutar com
a guarda baixa soava como displicência ou
desrespeito ao adversário, mas só "soava ", meu
irmão fazia isso por alguns motivos, e conforme eu
narrar o prosseguimento da luta isso irá f**ar claro
para você, leitor.
Assim que Cassius ficou na frente de Corky, com a
guarda baixa, ele fez o que cem por cento dos rivais
de meu irmão fez durante toda a carreira: buscou
acertar o seu rosto.
Baker partiu para cima com jabs e diretos e Cassius
se esquivava com passadas para trás, nesse
processo de recuar, ele abaixava ainda mais as
mãos, e isso incitava o rival a correr
desesperadamente na tentativa de acertar sua face.
Na maioria das vezes, esses socos perdiam grande
de parte sua potência devido à extensão necessária
para desferi-los. Some isso à incrível capacidade
técnica de meu irmão que conseguia se esquivar
desses golpes por questão de milímetros. (Há a
suspeita inclusive de que Cassius poderia ser
disléxico, e isso se tornou numa enorme vantagem
a seu favor, por favor não deixe de ler isso nas notas
do fim do capítulo*) Quando se davam conta
estavam tão próximos de Cassius e suscetíveis a
tomar um contra golpe sem a possibilidade de
defesa. E foi exatamente isso que aconteceu, Corky
perseguiu meu irmão pelo ringue, socando de
maneira esbaforida, e após a tentativa frustrada de
ataque acabou recebendo um poderoso jabseguido de um potente direto de direita na face. Ao
ser golpeado, Baker imediatamente recuou e sua
expressão facial denotava a surpresa de quem
ainda não havia entendido o que acabara de
acontecer.
O estilo de luta do meu irmão, pouco compreendido
na época, buscava aliar suas habilidades físicas
com os aspectos psicológicos que ele conhecia tão
bem.
Ao deixar suas mãos abaixadas, Cassius sabia que
sua cabeça se tornaria um alvo fixo na mente dos
adversários, e assim isso se tornava um convite para
que o atacassem naquele lugar. Seus reflexos, sua
incrível habilidade de se esquivar lhe davam a
segurança para agir dessa forma. E ao ser atacado
e abaixar ainda mais as mãos, o convite era
ampliado, fazendo com que o rival golpeasse quase
de maneira instintiva, sem pensar muito. Isso os
deixava descuidados, e como vimos, abertos a
receberem a punição de Cassius. Além disso, o
efeito de socar e não atingir o alvo desgasta demais
o lutador, e também vai afetando o psicológico do
atleta. Não tinha nada a ver com displicência ou
desrespeito: era apenas a ciência da luta sendo
aplicada por um gênio.
Para meu irmão, a batalha dentro de um ringue
nunca poderia ser dissociada dos aspectos físicos e
psicológicos. Ele sabia como ninguém, que a parte
mental afeta o físico, assim como o físico afeta opsicológico. O desgaste dos seus rivais socando o
vazio afetava a sua moral, e a fadiga física e mental
vai aos poucos derrotando o boxeador. Agindo
dessa forma Cassius fazia com que o rival lutasse
contra dois oponentes: contra si mesmo para
manter a “sanidade” no decorrer do confronto e
contra ele. Muitos falam que o boxe é uma batalha
de vontades, e meu irmão era um mestre em abalar
a vontade de seus oponentes.
Voltando ao combate, após ter atingido Baker,
Cassius continuou saltitando ao seu redor. Corky
tentou acertá-lo mais algumas vezes, porém agora
o fazia com muito mais cuidado. Seus socos
novamente passaram no vazio. Já havia transcorrido
1 minuto de combate, e Baker já havia se
desgastado demais, ao passo que Cassius só se
aquecia. Pra vocês terem uma ideia, Corky tinha
desferido 17 socos, nenhum atingiu o rival, já meu
irmão só havia dado os 2 socos certeiros, e o nariz
de Baker já apresentava um leve sangramento. A
ciência de economizar energia e ser cirúrgico era
algo bem administrado por Cassius.
O assalto prosseguiu, com Corky caçando meu
irmão, que pacientemente saltitava ao seu redor, e
aí outra peculiaridade da sua forma de lutar se
manifestou.
Cassius acostumava seu oponente a esse padrão, de
estar sempre saltitando e circulando pelo ringue, e
isso os induzia a pensar que ele sempre estava emmodo defensivo, ou que apenas golpearia após o
ataque do rival. Assim, quando Corky relaxou com
sua guarda, foi surpreendido por mais uma forte
direita de Cassius. É sabido no meio do boxe, que
os socos mais devastadores são aqueles que
surgem sem você esperar ou prever. O golpe
atingiu em cheio o nariz de Baker, que
provavelmente deve ter quebrado, e o
sangramento foi abundante.
Cassius procurou se aproveitar desse momento e
partiu para cima, mas Corky conseguiu conter seu
ímpeto o agarrando desesperadamente, nisso se
valeu de sua maior força física. Quando o árbitro os
separou, todo o peito de Cassius estava banhado de
sangue, fruto do sangramento no nariz do rival.
Após mais algum estudo por parte dos dois, o sino
tocou anunciando o final do round.
Cassius se sentou e sua única preocupação era
limpar o sangue do peito, que àquela altura já havia
sujado até o seu calção, que de branco já começava
a tomar uma tonalidade rosa. Já Corky estava com
muitos problemas: o nariz ferido, a dificuldade de
respirar e o cansaço físico fruto de todos os golpes
no vazio, além de uma ferida enorme no seu ego,
pois a visão dele socando desesperadamente o
vácuo fez todos os presentes rirem.
Um minuto de intervalo, e o sino toca para iniciar o
segundo assalto.Assim que se posicionaram no centro do ringue,
Cassius começou a se comportar de maneira
totalmente diferente, ele puniu o oponente com o
seu famoso "dancing jab", que consistia em lançar
rápidos jabs enquanto circulava ao redor do rival, e
os deixava totalmente desorientados, já que era
quase impossível contra-atacar.
Após transformar a cabeça do oponente numa
speed ball, Cassius diminui o ritmo, o rosto de
Corky era quase uma massa disforme. Vendo que
não possuía muitas chances de triunfo, Baker só
poderia se valer de um nocaute. Assim, ele deixou
clara suas intenções: partiu para cima de meu irmão
lançando jabs e diretos.
E foi aí que Cassius utilizou mais um de seus
recursos.
Normalmente quando se esquiva de um jab de
esquerda, você tem 2 opções: pode desviar para o
chamado lado de "fora" que é se mover para o lado
esquerdo do rival, pois isso o faz f**ar longe da mão
direita (normalmente a mão dominante, a mais
forte). Isso é o esperado.
Ou você poderia fazer o que meu irmão fazia com
frequência e maestria: esquivar para "dentro", ou
seja, se mover para o lado direito do rival, e isso o
conduzia perigosamente até a sua mão direita,
permitindo ao oponente o acertar com um belo
direto de direita.E assim que Corky lançou o seu jab, Cassius fez
exatamente isso: se esquivou para dentro.
Instintivamente Baker fez o movimento esperado,
de mover o ombro direito para desferir o direto,
mas numa velocidade impressionante, Cassius
engatilhou o seu direto, como o movimento era de
colisão frontal, e o soco de Cassius foi feito com a
mão abaixada (sendo assim imprevisível para
Corky), o impacto se deu com a maior potência
possível. No momento em que o punho de Cassius
conectou o nariz de Corky, ele imediatamente
recuou e caiu.
O juiz intercedeu para iniciar a contagem: Baker se
levantou em 4, mas para a surpresa de todos, assim
que ficou de pé, ele virou de costas e abandonou o
ringue. Faltavam 50 segundos para o final do
assalto. Cassius se tornava o rei de Louisville. Ele
havia destruído o maior casca grossa da cidade e
não havia tomado um único soco sequer.
Ah, sim. Vamos falar sobre a lei.
Todo esse combate, todos os recursos técnicos que
foram utilizados por meu irmão podem se resumir a
uma lei chamada de Lei da Acumulação.
Essa lei diz que a maestria alcançada em qualquer
área é simplesmente a soma de inúmeros horas de
prática constante e esforços feitos no cotidiano, e
que ninguém aprecia ou vê, até o momento em que
elas são postas em evidência.Meu irmão passou incontáveis horas no ginásio
treinando suas habilidades de esquiva, até alcançar
a capacidade de desviar de qualquer soco com as
mãos baixas, só confiando no seu jogo de pernas e
movimento de cabeça.
Sua extraordinária condição física lhe permitia
saltitar ao redor do ringue no mesmo ritmo durante
15 assaltos. Isso foi fruto do intenso trabalho de
preparação física.
Os socos que meu irmão desferia eram na sua
imensa maioria, os jabs e diretos. Os golpes mais
básicos do boxe. Mas foram treinados à exaustão no
ginásio de Stoner, milhares de vezes, sempre
acompanhados pela lei da melhoria contínua. A
fusão dessa lei com a lei da acumulação é a chave
que pode transformar qualquer pessoa comum, sem
nenhum talento especial ou inato, em um
verdadeiro gênio.
Senhoras e senhores, essas foram as Leis de Clay.
NOTAS:
*Dislexia: apesar de pouco conhecido na época, a
dislexia era um mal que afligia meu irmão. Os
cientistas não compreendem as razões, mas a
dislexia pode ser uma vantagem para algumaspessoas. Estudos mostram que a aprendizagem da
leitura reestrutura o cérebro. A leitura nos ensina a
bloquear o mundo, e isso faz com que certos tipos
de habilidades de processamento visual se percam.
Talvez por isso alguns disléxicos apresentem
excepcional talento visual, o que os ajuda a
compreender formas e movimentos com mais
rapidez e com mais matizes do que outras pessoas.
Talvez fosse por isso que Cassius Clay tinha o dom
de antecipar um soco e se afastar ou desviar de um
golpe. Seu cérebro não focava bem palavras e
frases que precisavam ser processadas em uma
ordem exata, mas ele era extraordinariamente bom
no contrário disso: estar alerta a tudo ao mesmo
tempo e detectar coisas que pareciam estranhas ou
fora de lugar. Uma sobrancelha levantada, uma
mudança no ângulo do ombro de um lutador, uma
contração de um músculo – essas eram todas pistas
possíveis quando ele estava diante de outro
pugilista, a mente disparada para ajuda-lo a manter
uma distância segura. Disléxicos conseguem ler o
humor de uma sala lotada, mesmo enquanto se
esforçam para se concentrar no que está dizendo a
pessoa á sua frente. Eles assimilam padrões e veem
oportunidades que outros não conseguem detectar.
Os cientistas acreditam que a dislexia é
relativamente comum entre empresários e outros
líderes – especialmente entre pessoas que mostram
um talento especial para o talento criativo, paraescapar do considerado normal pela maioria e para
ver o quadro completo de uma situação.
PRÓLOGO:
A vitória sobre Baker, além de trazer fama, deu uma
dose extra de confiança para Cassius. Ele
prosseguiu firme em OPD. Ganhou vários torneios
amadores e o ápice da sua carreira amadora foi a
conquista da medalha de ouro na Olimpíada de
Roma.
Assim, essa vitória significou muito para sua
carreira. A partir daquele dia, ele vestiria o calção
vermelho com listras brancas, o vermelho
simbolizava o sangue do rival, pois ao final da sua
luta contra Corky, seu calção branco se encontrava
vermelho tingido pelo sangue de Baker.
Somente na fase adulta, ele adotaria
definitivamente o calção branco com listras pretas
que ficou no imaginário popular: ali ele já era
Muhammad Ali. O branco simbolizava a pureza, e
as listras pretas o orgulho de pertencer a raça
negra.
Falando em Muhammad Ali, o que mais me
impressiona no meu irmão foi a sua capacidade de
se reinventar após 3 anos e meio longe do boxe.Como deve ser do conhecimento da maioria, Ali
recusou a se alistar nas Forças Armadas para
combater na Guerra do Vietnã, e isso ocasionou o
seu banimento do boxe por pouco mais de 43
meses. Quando ele voltou, já longe do auge, que
justamente deveria ter ocorrido no período em que
ele ficou inativo, muitos o consideravam acabado
para o boxe no seu mais alto nível.
Para se tornar campeão novamente, Muhammad
modificou sua forma de lutar, e com isso ele
escreveu novas leis, que são as leis de Ali.
Será um prazer relatar isso para vocês em outro
momento.
Que Alá os abençoe grandemente.
Fim

Endereço

Avenida FERREIRA BANDEIRA 150
Santo Amaro, BA
44200000

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Personal Trainer de Boxe posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar

Categoria