07/03/2026
Nos últimos anos, multiplicaram-se as prescrições de testosterona para homens, muitas vezes sem critérios médicos sólidos. O discurso da “reposição hormonal masculina” ganhou força, como se os homens experimentassem algo semelhante à menopausa feminina e devessem recorrer igualmente à reposição de hormônios perdidos.
A equivalência é falsa, pois, enquanto as mulheres param de produzir hormônios em determinado momento da vida, os homens, em sua maioria, mantêm níveis normais mesmo em idade avançada. Não à toa, o termo popular “andropausa” nem mesmo existe na literatura médica. Na prática, o que se tem chamado –
erroneamente – de “reposição hormonal masculina” não passa de uma terapia anabolizante. Reposição de testosterona: muitas vezes, tratamento não passa de uma terapia anabolizante.
Estatisticamente, apenas 17% dos homens na faixa dos 40 aos 80 anos de idade têm níveis de testosterona inferiores ao mínimo considerado normal e apenas 2,1% deles têm critério diagnóstico para, de fato, referendar necessidade de reposição hormonal, sendo essa prevalência de 0,1% entre homens de 40 a 49 anos e de 5,1% entre os de 70 a 79 anos, conforme estudos recentes.
Existe um declínio na produção de testosterona, que, no entanto, é gradual e representa um problema para um número muito reduzido de pacientes, como revelam os números.
O que tem ocorrido é que a batalha contra o processo natural do envelhecimento, antes protagonizada por mulheres, chegou com força ao universo masculino.
Agora, os homens vêm buscando nos hormônios a solução de problemas como baixa libido, cansaço, obesidade, controle do diabetes e até melhora da potência sexual. Enganam-se, porém, os que pensam que um frasco de comprimidos pode resolver todas essas questões da noite para o dia.
Na verdade, o mais preocupante é ultrapassar os níveis normais de testosterona, o que pode ocorrer quando se faz uso do hormônio sem real necessidade. As consequências vão de acne e queda de cabelo a alterações hepáticas, arritmias, cardiomiopatia, crescimento da próstata, elevação do PSA, maior incidência de infarto e aceleração de tumores prostáticos. Além desses efeitos, há ainda o impacto comportamental.