30/05/2026
Quando se olha para Kylian Mbappé hoje, vê-se um jogador muito mais completo do que aquele jovem prodígio que levantou sua primeira Copa do Mundo. O talento continua lá, intacto, mas agora acompanhado pela maturidade de quem aprendeu a carregar responsabilidades, liderar companheiros e decidir partidas nos momentos mais delicados. Ao mesmo tempo, a seleção francesa parece ter acompanhado essa evolução. O elenco amadureceu, ganhou experiência e profundidade, formando um conjunto que chega naturalmente apontado como favorito à conquista de mais um título mundial.
A história, porém, gosta de brincar com as certezas do futebol.
Em 2002, o cenário era curiosamente parecido. A França desembarcava no Mundial como a grande potência do momento. Campeã do mundo em 1998 justamente diante do Brasil, campeã europeia em seguida e dona de uma geração brilhante. Zidane estava ainda melhor do que quatro anos antes, e ao seu redor havia uma equipe que parecia ter alcançado o auge da própria força. Poucos duvidavam: os franceses eram os favoritos absolutos, e com todos os méritos.
Do outro lado estava um Brasil cercado por interrogações. Romário, mais uma vez, f**ava fora da convocação. Ronaldo carregava o peso de uma grave lesão e muitos especialistas consideravam improvável que conseguisse recuperar seu melhor futebol a tempo da competição. A Seleção chegava desacreditada, distante das primeiras apostas e longe do status de favorita.
Mas a Copa do Mundo raramente respeita os roteiros escritos antes do apito inicial.
Hoje, ao observar a França de 2026 cercada de expectativas e comparar com aquele cenário de 2002, é impossível não sentir um leve arrepio de déjà-vu. Talvez seja apenas coincidência. Talvez seja apenas mais uma dessas comparações que o futebol gosta de provocar. Ou talvez a história esteja, mais uma vez, se preparando para mostrar que favoritismo e taça nem sempre jogam no mesmo time.