21/10/2019
Osteoporose: causas, sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento.
No Dia Mundial de Combate à Osteoporose, médicos respondem às principais perguntas sobre a doença. Que não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos e hábitos saudáveis.
Dados da Federação Internacional da Osteoporose (IOF) apontam que a doença, caracterizada pela perda da massa óssea, acomete 200 milhões de mulheres no mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o problema afeta 10 milhões de pessoas, especialmente mulheres na pós-menopausa e idosos, e é a principal causa de fraturas na população acima de 50 anos. Ao promover mudanças na arquitetura do osso, a osteoporose compromete a força e o equilíbrio, causando essas complicações. Estimativas da IOF apontam que, no mundo, são registradas 8,9 milhões de fraturas osteoporóticas anualmente, o que representa uma média de um caso a cada três segundos. Para alertar a população sobre a doença, 20 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Osteoporose.
Apesar de ter grande incidência no mundo, esse é um problema que ainda gera muitas dúvidas. A começar pelo fato de que não se trata de uma doença que afeta apenas as mulheres, embora elas sejam a maioria das atingidas. Estudos no Brasil dão conta de que a osteoporose acomete 10% a 15% dos homens com mais de 65 anos. No caso deles, as complicações das fraturas são até mais graves: entre o s**o masculino, segundo a IOF, a mortalidade decorrente desses agravos é maior. Aproveitando a ocasião do Dia Mundial de Combate à Osteoporose, conversamos com médicos especialistas no assunto para responder as questões mais recorrentes quando se trata dessa doença, listadas adiante.
Vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Ben-Hur Albergaria faz um alerta introdutório. O ginecologista comenta que essa doença esquelética que compromete a resistência do osso é um mal silencioso. Embora seja a enfermidade óssea mais comum entre a população, a osteoporose acontece sem que se perceba por muito anos.
– De repente, a pessoa é surpreendida com a primeira fratura. Ela não se percebe doente e essa é uma dificuldade. Uma em cada quatro pessoas que sofrem fraturas no fêmur morrem no primeiro ano e apenas uma volta a ficar completamente independente como antes. Mas é possível identificar esses riscos precocemente e oferecer recursos de tratamento para mudar os números que fazem da osteoporose um problema de saúde pública no mundo todo – informa Albergaria, acrescentando que menos de 30% das primeiras fraturas têm tratamento adequado e que 20% a 30% dos pacientes apresentam o risco de uma segunda fratura nos dois anos seguintes.
O vice-presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia e especialista em osteoporose Marcelo Pinheiro comenta que muitas vezes as pessoas responsabilizam as quedas pelas fraturas. No entanto, é preciso reconhecê-las como um sinal da doença e da fragilidade que ela causa no osso.
– É preciso acabar com esse mito de que a fratura é causada pela queda e não pela doença, que provocou a fragilidade do osso. Quando a pessoa acha isso, não previne a ocorrência da segunda fratura com medicamentos, cujos ganhos são otimizados com a alimentação e exercícios físicos – observa o médico reumatologista.
Nesse contexto, o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), Sergio Maeda, reforça que os cuidados com a alimentação e uma rotina de exercícios físicos são fundamentais para quem já teve o diagnóstico de osteoporose e faz tratamento medicamentoso. O endocrinologista antecipa ainda que é possível adotar comportamentos saudáveis que ajudam na prevenção problema.
– É preciso uma dieta rica em alimentos com cálcio, como laticínios, e a manutenção de níveis adequados de vitamina D, seja pela exposição solar ou com suplementos. Em termos de exercício físico, o que se sabe é que, quando bem orientados, aqueles que promovem impacto ajudam a melhorar a saúde do osso – completa, destacando a importância da atenção a pisos escorregadios e molhados, remoção de objetos soltos pelo chão e adoção medidas para deixar o banheiro mais seguro para idosos, como instalação de barras, para evitar quedas.
É possível prevenir a osteoporose?
Não há como mudar o fator hereditário, que responde por 60% a 80% dos casos. Mas é possível reduzir as chances de ocorrência da doença ao focar naqueles fatores modificáveis e adotar comportamentos como:
Dieta rica em cálcio;
Manutenção dos níveis de vitamina D com exposição ao sol ou uso de suplementação;
Abandono do hábito de fumar;
Prática regular de exercícios físicos,
Diminuição do consumo de álcool. Em relação à ingestão de bebidas alcoólicas, para evitar riscos para sua estrutura óssea, jamais faça uso diário e, quando for participar de algum evento social, no final de semana, por exemplo, não passe de três doses.
Como deve ser a alimentação para prevenção e tratamento?
É importante reforçar o consumo de cálcio, que é o principal mineral estrutural do osso. A partir dos 50 anos, deve-se ingerir cerca de 1,2 mil mg desse nutriente diariamente. Porém, em média, o brasileiro consome aproximadamente 400 mg diários.
Leite e derivados são as principais fontes de cálcio, tanto por estar presente em grandes quantidades nesses alimentos como também por serem mais biodisponíveis, ou seja, o nutriente é mais bem absorvido pelo organismo. No caso de leite desnatado ou de queijo branco, vale reforçar que contam com a mesma quantidade de cálcio dos produtos integrais. Nesses alimentos, há retirada apenas da gordura, não do nutriente. Vegetais verdes escuros, como agrião, couve, espinafre e brócolis, também são ricos em cálcio. Contudo, sua biodisponibilidade é um pouco menor.
Confira a quantidade aproximada de cálcio presente em alguns alimentos:
Um copo de leite ou iogurte: 300 mg;
Uma fatia de queijo: entre 150 e 200 mg;
Salada com vegetais verdes escuros: até 400 mg, dependendo da quantidade e ingredientes usados.
A vitamina D também é importante. Esse nutriente é necessário para promover a absorção e deposição do cálcio no osso. Essa combinação entre consumo de cálcio e níveis adequados de vitamina D para adultos e idosos (entre 600 e 800 unidades internacionais) é essencial inclusive para que os medicamentos para tratamento da osteoporose tenham efeito máximo. E o único jeito de garantir a absorção de vitamina D pelo organismo é pegando um pouco de sol diariamente.
É preciso ainda garantir uma ingestão adequada de proteínas. Com o avanço da idade, há o risco de perda de massa muscular, que pode agravar o quadro de pessoas com osteoporose.
Nutrientes importantes para prevenção e tratamento da osteoporose:
Cálcio;
Vitamina D;
Proteína.
Como os exercícios contribuem para a prevenção e o tratamento?
É importante manter uma rotina que envolva atividades que promovam uma melhora de capacidade cardiovascular, por meio de exercícios aeróbicos, de força e de flexibilidade. Contudo, exercícios de força, como aqueles realizados na musculação ou no pilates, são essenciais para atuar contra a osteoporose. Isso porque promovem o fortalecimento e o ganho de massa muscular, evitando os riscos de sarcopenia, e também contribuem para melhorar a densidade mineral óssea.
Além de ter impacto direto na saúde do osso, a preservação da massa muscular também ajuda na prevenção de quedas, uma vez que favorece o equilíbrio, a postura e até o reflexo da pessoa. Nesse aspecto, é importante incluir outras atividades que aumentem essa consciência corporal. Pilates, tai chi chuan e yoga também ajudam a melhorar o equilíbrio e evitar quedas.
Para ter a recomendação do treino mais adequado, pessoas jovens e adultas devem consultar profissional de Educação Física. Já aquelas que apresentam problemas de saúde devem conversar com o médico que faz o seu acompanhamento. Dependendo do quadro, incluindo de pacientes com osteoporose, pode ser indicado realizar os exercícios com o apoio de um fisioterapeuta.
FONTE: Portal Eu Atleta.