26/08/2026
A sociedade em que vivemos, muitas vezes, nos ensina a enxergar o outro como adversário. Desde cedo aprendemos a defender posições, provar que estamos certos e conquistar espaços, como se toda divergência precisasse terminar com um vencedor e um derrotado. Essa lógica ultrapassa os tribunais e invade as relações familiares, profissionais, escolares e sociais.
A cultura adversarial alimenta a desconfiança, reduz a capacidade de escuta e estimula respostas impulsivas. Opiniões diferentes passam a ser interpretadas como ataques pessoais. O desgaste emocional aumenta, a ansiedade se intensifica e os relacionamentos se fragilizam. Nos ambientes de trabalho, prevalecem disputas internas que comprometem a colaboração, reduzem a criatividade e enfraquecem o senso de pertencimento. Na sociedade, cresce a polarização e diminui a capacidade de convivência.
A psicanálise ajuda a compreender esse fenômeno ao demonstrar que frequentemente projetamos no outro aquilo que não conseguimos reconhecer em nós mesmos. Em vez de elaborar nossas inseguranças, atribuímos ao outro a origem do nosso desconforto. O conflito deixa de ser apenas uma divergência de interesses e passa a representar uma ameaça à identidade. O diálogo perde espaço para a necessidade de vencer, enquanto a cooperação cede lugar à competição permanente. É justamente nesse cenário que a mediação de conflitos promove uma verdadeira quebra de paradigma. Em vez de concentrar esforços na disputa, direciona o olhar para os interesses, as necessidades e as possibilidades de construção conjunta. Não elimina os conflitos, mas transforma a maneira de enfrentá-los, convertendo diferenças em oportunidades de aprendizado, crescimento e fortalecimento das relações.
A Cultura da Paz amplia essa perspectiva ao propor uma convivência fundamentada no respeito, na responsabilidade, na empatia e no diálogo. Paz não significa ausência de conflitos, mas competência para administrá-los sem recorrer à violência, à imposição ou ao desejo de derrotar o outro. Precisamos, o quanto antes, romper com a cultura adversarial. Abandonar a necessidade de vencer todas as discussões e descobrir o valor de construir entendimentos. É nessa mudança de postura que nascem relações mais saudáveis, organizações mais colaborativas e uma sociedade verdadeiramente comprometida com a Paz.
Suely Buriasco - Mediadora Corporativa e Escritora