24/03/2026
“Começou, mas não terminou”
Joãozinho pediu para fazer karatê. Os pais matricularam, compraram o kimono, levaram na primeira semana. Na segunda, ele disse que estava cansado. Os pais deixaram faltar. Na terceira, ele disse que não queria mais. Os pais aceitaram.
Sem insistir, sem conversar, sem mostrar o valor de continuar.
Pode parecer um gesto de respeito à vontade da criança, mas, no fundo, esse “primeiro não” ensina algo perigoso: que desistir é o caminho mais fácil e que está tudo bem abandonar algo assim que aparecer o primeiro cansaço ou dificuldade.
Quando os pais não incentivam a persistência, mesmo diante da birra ou da preguiça, eles mostram, sem dizer uma palavra, que o filho não é capaz de superar um obstáculo simples. E mais: que desistir é a atitude certa.
O problema é que esse comportamento se repete. Hoje é a arte marcial. Amanhã será o curso de inglês, depois o time de futebol, mais tarde os estudos, e quem sabe um dia um sonho.
Insistir não é forçar. É ensinar que todo começo tem desafios, que dificuldade faz parte e que superar algo dá um prazer que desistir nunca vai dar.
Porque, se na primeira dificuldade a criança aprende que pode parar, ela cresce acreditando que a vida é feita de desistências. E aí, quando um desafio de verdade aparecer, ela não vai ter a força que só se conquista persistindo.