21/11/2019
É curioso pensar que, em um país onde mais de 70% da população é composta por negros, o rugby, um dos esportes mais populares do país, tenha sido por anos a representação da elite branca. Este é o cenário da África do Sul de 1994, auge do Apartheid e da luta de Mandela pela democracia racial.
Apesar de ainda hoje o rugby ser um esporte considerado “de branco”, a última Copa do Mundo ocorrida no Japão tem um nome: Siya Kolisi, primeiro capitão negro dos Springboks, que mostra um passo na luta de tantos anos a qual parece estar longe de acabar.
Trazendo a discussão para o cenário brasileiro no qual nos inserimos, a representatividade negra no Rugby universitário vai muito mais a fundo do que simplesmente o esporte. Inicia-se no ingresso à universidade pública e à estrutura e acesso que esses 53% da população brasileira possuem à educação.
Atrelado a isso, há o fato do esporte ser ainda pouco difundido, e por muitos desconhecido, pois conhecê-lo ainda requer um acesso maior do que a sociedade possui.
Isso aparece nitidamente até mesmo em nosso time, que possui apenas uma jogadora negra, o que representa 2,3% da equipe formada por alunas de dois institutos majoritariamente brancos.
Neste 20 de novembro, o FEAOdonto Rugby vem não só com o objetivo de compartilhar essas informações obtidas a partir de uma auto-análise, mas também com o objetivo de apoiar e prezar cada vez mais pela representatividade negra, não só na universidade, como também no esporte universitário, para que tenhamos, cada vez mais, Kolisi’s em nossos times.