01/09/2026
Foi difícil ver o sofrimento do Djokovic no US Open. E aquilo me fez lembrar do quanto pode ser extremamente difícil para um atleta decidir a hora de parar. Pelo menos pra mim, foi.
Existe um processo pelo qual todos os atletas passam quando chega o momento de deixar o esporte.
Porque não é apenas parar de jogar.
É deixar para trás uma vida inteira construída em torno daquilo.
Durante anos, você acorda sabendo exatamente o que precisa fazer. Treino, competição, metas, ranking, próximos torneios. Existe sempre um objetivo. Sua vida tem rotina, direção e propósito.
E, de repente, tudo isso desaparece.
Você olha para uma página em branco. E o que poderia parecer liberdade, poder fazer o que quiser, pode ser assustador quando você não faz ideia do que quer.
Porque passou a vida inteira aprendendo a ser atleta e aprendeu a saber o que gosta de fazer.
Para mim, esse processo foi muito doloroso. Passei cerca de um ano e meio sem conseguir decidir se continuava jogando ou se parava.
E, quando parei, veio um vazio enorme. Parecia que eu tinha perdido tudo. Eu tinha a sensação que tudo aquilo que eu tinha lutado a vida inteira, tinha acabado.
Foi preciso recomeçar e aprender a construir uma nova vida em todos os sentidos. Descobrir novos prazeres, outros objetivos, outras coisas capazes de me fazer acordar querendo alguma coisa.
E também aprender a viver sem uma sensação que fez parte da minha vida por tantos anos: o êxtase de competir e ganhar. A adrenalina de um jogo importante, de vencer um torneio, de superar algo que parecia impossível.
Talvez seja difícil entender de fora por que um atleta que já conquistou tanto continua tentando.
Mas parar não é simplesmente deixar de jogar.
É ter coragem de encerrar a vida que você conhece sem ainda saber qual será a próxima.
Torço para que, quando chegar a hora, ele consiga encontrar novos sentidos tão especiais quanto os que o tênis lhe deu.