17/03/2026
A Árvore do Yoga
“Os antigos sábios, ao vislumbrarem a alma, descobriram a semente da vivência no ioga. Essa semente tem oito segmentos, os quais, à medida que a árvore cresce, dão origem aos oito membros do ioga.
A raiz da árvore do ioga é YAMA, que abrange cinco princípios: Ahiṁsā (não-violência), Satya (veracidade), Asteya (abstenção da avareza), Brahmacharya (controle do prazer sensorial) e Aparigraha (livrar-se da ambição e do desejo de possuir mais do que o necessário).
O tronco é comparável aos princípios do NIYAMA, que são Śaucha (higiene), Santoṣa (contentamento), Tapas (ardor), Svādhyāya (auto-exame) e Īśvara-prānidhāna (auto-rendição).
Os galhos são as āsanas, as várias posturas que levam as funções físicas e fisiológicas do corpo a entrar em harmonia com o padrão psicológico da disciplina iogue.
As folhas absorvem o ar, colocando-o em contato com as partes internas da árvore que correspondem ao prānāyāma, a ciência da respiração.
O domínio dos āsanas e prānāyāmas ajuda o praticante a liberar a mente do corpo, o que leva automaticamente a concentração e a meditação.
A casca corresponde a pratyāhāra, que é a viagem interna dos sentidos, os quais se desligam da pele e se voltam para o âmago do ser.
A seiva da árvore, o suco que contém a energia dessa viagem para a interioridade do ser, é dhāranā, é concentração, é focalizar a atenção no cerne do ser.
Quando a árvore é saudável e o suprimento de energia fantástico, as flores nascem. Nesse sentido, dhyāna, a meditação, é a flor da árvore do ioga.
Por fim, quando a flor se transforma em fruto, tem-se o samādhi. A essência da árvore está no fruto, e a essência da prática do ioga está na liberdade, na elegância natural, na paz e na beatitude do samadhi, em que o corpo, mente e alma se unem e se fundem com o Espírito Universal.”
Trecho retirado [editado] do livro “A Árvore do Yoga” de B. K. S. Iyengar