02/04/2024
Antiga ponte férrea dinamitada pelos paulistas na revolução de 1932, finalmente foi restaurada pela prefeitura.
No dia 14 de julho cerca de nove horas da manhã, chegou a´ cidade de Passa Quatro um destacamento sob o comando do major Quintiliano do 5º R. I. de Lorena .
Major Quintiliano solicita do delegado de policia local, Sr. Vicente Nogueira, uns 8 metros de corda, ignorando os fins para que seria destinada.
Só uma hora, mais ou menos, após é soube o emprego que fora dado essa corda, e, antes não soubesse nunca, pois, evitaria a forte explosão de meus nervos quando vi uma pobre vellhinha, paralytica, ser carregada em uma cadeira pelo Sr. Romeu Hespanha e seu filho Walter.
Foi por este amigo que tive conhecimento de que as pontes da via-ferrea e da estrada de rodagem, paralelas, a´entrada da cidade, iam ser dynamitadas.
Tão absurda me parecia a ideia que disse a esse amigo ser impossível aquelle official vir dynamitar ponte dentro de uma cidade cuja população, ordeira e pacata, por excellencia, não se lhe revelara hostil.
Mal acabamos de trocar estas palavras, medonho e horrível estampido fez estremecer e abalar toda a cidade; gritos, lagrimas, e senhoras cahidas ao solo, privadas dos sentidos; homens revoltosos, vomitando chamas de cóleras, de imprecações e de maldição contra o imprudente e inepto official; famílias inteiras abandonando os seus lares em demanda das fazendas e das roças; o commercio fecha as suas portas; o virtuoso e octogenário vigário da parochia, que reside a trinta metros da ponte da via-ferrea, e que teve vidros das janellas de sua casa todos quebrados, fugiu, amparado a um forte cajado e com o missal na outra mão, atônito, para a estrada, lamentado a insânia do inesperado e tétrico acontecimento.
Os estilhaços de ferro zumbem e elevam a tão grande altura que se perdem de vista. Na residência do Sr. Romeu Hespanha, que dista mais de duzentos metros das pontes dynamitadas, cáe, a um metro distante de duas crianças que brincavam a infância descuidada, um estilhaço de dois e meio kilos de ferro! O olustre pharmaceutico Sr. Antonio Tiburcio Ribeiro, cura, em sua pharmacia, dois feridos attingidos por estilhaços.
"Guilherme Barros".