15/07/2026
Hoje, de fato e de direito, celebramos o primeiro Dia Nacional da Capoeira.
Mais do que uma nova data no calendário, trata-se de um marco que representa um avanço qualitativo construído a partir de um longo processo coletivo, plural e democrático.
Para compreender esse percurso, vale sempre recorrer às fontes primárias, às evidências e ao debate responsável, sem romantizações — mesmo quando bem-intencionadas. A aprovação do dia 15 de julho remete ao reconhecimento histórico do próprio Estado brasileiro, quando, em 15 de julho de 2008, o IPHAN registrou a Roda de Capoeira e o Ofício dos(as) Mestres(as) de Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil. Esse é o fundamento histórico que embasa a escolha da data.
Durante muitos anos, assim como diversas pessoas, também publiquei mensagens em outra data, motivado por uma informação equivocada que acabou sendo amplamente difundida por um importante veículo de comunicação. Registro que esse veículo prestou relevantes contribuições para a capoeira ao longo do tempo, e um equívoco pontual não apaga essa trajetória. Inclusive, anos depois, encaminhei um e-mail sobre o tema e recebi uma resposta indelicada da qual discordo, documentação que mantenho em meus arquivos pessoais.
Entretanto, diante das evidências históricas, compreendi que o mais correto era rever meu posicionamento. Passei, então, a somar esforços com algumas pessoas muito queridas que, desde aquele momento, alertavam para a necessidade de corrigirmos a informação acerca da data. Infelizmente, em determinados momentos, esses alertas chegaram a ser interpretados por parte da comunidade como uma tentativa de prejudicar uma suposta "janela de oportunidade", quando, na realidade, tratava-se apenas de um compromisso com a precisão histórica.
Reconhecer um equívoco e corrigir o rumo não diminui ninguém. Pelo contrário, fortalece a credibilidade, demonstra respeito à história e evidencia compromisso com a verdade.
Por isso, celebro este primeiro Dia Nacional da Capoeira com alegria, especialmente por saber que ele resulta do acúmulo de muitas contribuições, de diferentes pessoas, movimentos e instituições, ao longo de anos de diálogo e construção coletiva.
Parabenizo o deputado Márcio Marinho, autor da proposição; o Congresso Nacional; o IPHAN; os movimentos da capoeira — como a Salvaguarda da Capoeira, o Movimento Unitário da Capoeira, entre outros não menos importantes, que, cada qual à sua maneira e respeitando sua forma de organização coletiva, contribuíram para esse marco —, bem como todas as pessoas que, individual e coletivamente, colaboraram para que esse importante reconhecimento se concretizasse.
Que o 15 de julho permaneça como um momento de celebração da capoeira em toda a sua pluralidade: expressão de cultura, resistência, educação, ancestralidade, patrimônio, arte e humanidade.
Salve a Capoeira! Ubuntu! Axé!
Me. Tchê-Capoeira Interação/Capoeira COM a UFPE