23/04/2026
Algo que observo desde que comecei a atender empresários, no ano de 2000, é a intenção — muitas vezes quase uma obsessão — em transformar pontos comerciais em vitrines perfeitas para o cliente final. Fachadas impecáveis, iluminação planejada, acabamentos sofisticados, mobiliário escolhido a dedo e uma experiência de consumo cuidadosamente desenhada. Hoje, isso é inclusive desenvolvido de forma bastante científ**a. O cliente externo é tratado como prioridade absoluta.
Mas existe um outro lado dessa história que, na prática, revela uma contradição incômoda: o tratamento dado aos colaboradores.
Cozinhas escondidas, mal iluminadas, com mobiliário precário. Banheiros feitos no improviso, com materiais baratos, sem espelhos, sem saboneteiras, sem o mínimo de dignidade estrutural. E, quando a operação começa a rodar, o padrão se repete até nos detalhes mais básicos — como a escolha do papel higiênico mais barato possível.
A pergunta é inevitável: que tipo de cultura empresarial é essa que exige excelência na ponta, mas normaliza o descaso com quem sustenta essa mesma ponta funcionando todos os dias?
Esses empresários parecem ter esquecido — ou optam por ignorar — um ponto básico: o colaborador também é cliente da empresa. E são justamente esses colaboradores que irão atender o cliente final, aquele que entra encantado pela fachada, pela iluminação e pela promessa de uma experiência impecável.
A contradição é gritante: exige-se excelência na entrega ao cliente externo, mas trata-se o cliente interno com negligência. E isso não é detalhe — é incoerência estrutural. E toda incoerência, mais cedo ou mais tarde, aparece no resultado.
E f**a a pergunta final: o que você acha que o seu colaborador realmente pensa sobre você e sobre a sua empresa quando vive esse contraste todos os dias?