26/05/2018
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Quando existem greves ou manifestações, a grande imprensa só sabe repetir a mesma ladainha... “O trânsito está parado.” “Trabalhadores demoram horas para conseguir chegar ao trabalho.”
“Dona Maria teve que desmarcar a consulta médica porque os ônibus estão parados.”
Etc, etc, etc.
Por que será que os jornais agem assim, né?
Fazem parecer que o importante é a fluidez do trânsito, e não os motivos que levaram o povo a entrar em greve. Estranho... 🤔
É como se estivessem dizendo: - Os caminhoneiros não conseguem sustentar suas famílias dignamente por conta do preço do combustível? Dane-se.
Os motoristas de ônibus estão com os salários defasados e passam o dia em veículos sucateados e superlotados? Dane-se!
Os professores têm uma remuneração patética e ainda vão ter que pagar mais impostos para a prefeitura de SP? Dane-se.
O governo vai acabar com vários direitos trabalhistas? Dane-se!
As pessoas que se conformem e não atrapalhem a nossa rotina! Querem fazer greve? Então façam num domingo!!! -
Revoltante. Enfim... O grande jornalista Alberto Dines (falecido esta semana), dizia o seguinte: “A imprensa é a herdeira natural da sociedade moderna. E a informação deve correr sem restrições. Mas esta liberdade irrestrita precisa ser acompanhada de responsabilidades também irrestritas. Cada palavra solta no espaço tem um peso, um preço e gera uma responsabilidade. Só assim o poder fiscalizador da imprensa pode ser exercido sem prepotências e distorções.” Infelizmente, o que tenho visto é uma cobertura jornalística tendenciosa, disfarçada de imparcial, que defende os interesses das grandes corporações e que tenta desmoralizar ou até mesmo criminalizar toda ação organizada do povo contra abusos.
Vai fazer falta o grande Alberto...