Estava voltando da praia com meu amigo e agora sócio Vinícius Donato conversando sobre como seria bom trabalhar com algo que realmente gostássemos de fazer, alguma coisa que não travasse o nosso surfe e que dependesse do nosso próprio esforço para andar, um trabalho que girasse em torno da nossa paixão, para que então pudéssemos sempre estar em contato com o surf mesmo estando fora do mar. O trans
ito quase não andava e continuamos conversando a respeito, alimentando e visualizando algumas idéias citadas por nós naquele momento. Contei a ele sobre como era difícil pegar onda no começo, eu enfrentava várias dificuldades para manter meu esporte, áleas mais do que um esporte, o meu estilo de vida, o meu novo estilo de vida, eu queria levar o surf comigo para sempre, juntamente com tudo o que ele me proporcionava, momentos indescritíveis e maravilhosos, que começaram a refletir em todas as outras áreas da minha vida fora da água. Eu não tinha como levar meu pranchão no ônibus então o guardava na casa da Ceição, como a chamamos carinhosamente, ela vende gelo e guarda pranchas até hoje em sua casa, fui apresentado a ela pelo mesmo cara que me ensinou os primeiros passos no surf, o nome dele é André Luiz. Bendita foi a hora que o André me viu andando de skate na rua dele e por algum motivo que só ele pode dizer resolveu me levar para surfar, eu admirava as pessoas surfando mais nunca achei que eu seria capaz de praticar por morar tão longe, aposto que ele não imaginava o quanto eu iria ficar apaixonado, a ponto de querer surfar pelo resto da minha vida. André já tinha sua família e algumas responsabilidades que eu ainda não tinha, por isso acabava não indo com a frequência que a minha paixão necessitava, foi então que começou ás minhas dificuldades para manter meu esporte, eu ainda não trabalhava e não era sempre que conseguia dinheiro para ir até a praia, passei alguns sufocos por não ter um acompanhamento adequado, muitas pessoas tentam ir sozinhas e não conseguem, acabam achando que o surfe não é para elas. Em alguma parte da minha conversa com o Vinícius ele me levou a pensar em quantas pessoas não tinham o mesmo sonho que eu, me fez pensar em quantas pessoas apesar de admirar e querer muito ter a oportunidade de praticar, jamais conheceriam o surf por não ter quem os apresente, quantas pessoas não teriam a mesma sorte que eu tive ou que ele teve também, um amigo disposto a fazer o seu sonho se tornar real, eu fiquei na minha por alguns minutos e comecei a me lembrar em tudo o que eu tinha passado, me fez pensar na tamanha paixão que eu tinha pelas ondas e em todas as dificuldades que eu tinha para chegar até elas. Como em um passe de mágica tivemos a idéia de dar aulas de surf, só que de uma maneira diferente, de uma forma que alcançaríamos vários outros apaixonados, que jamais conheceriam o surf se alguém não os tivesse apresentado, assim como foi conosco. Tivemos a incrível e empolgante idéia de trabalhar com sonhos, cobraríamos o menos preço possível para que pelo menos pagássemos a gasolina para ir a praia todos os dias, estaríamos ali! Seriamos a grande oportunidade para os verdadeiros apaixonados, não só buscaríamos os alunos em casa, como também mostraríamos para ele ou ela que é possível sim praticar seu esporte e que o surfe não era só para os que moram na orla da praia ou proximidades, formaríamos surfistas de corpo e alma. Nossas idéias foram evoluindo e quanto mais nós falávamos mais elas iam aparecendo, prometemos um ao outro que nossas idéias jamais seriam jogadas ao vento e assim estamos caminhando