29/11/2016
"Arrancam-se páginas finais, então, para que a história não tenha fim"
Sonhar talvez seja a melhor parte da vida. É o momento da fantasia, da distância do real. A Chape teve seu sonho interrompido, sem saber do final. Mas não é o final que vale: o grande mistério da mágica não é o fim, mas sim o meio. É como o mágico tornar real aquilo que parece impossível de se entender.
E a Chape começou seu truque: da Serie C à final continental, o time transformou a fantasia no real. O que mais valeria nisso tudo não seria o resultado da decisão, mas sim a maneira como se chegou até ela. De como o verde da Arena Condá se espalhou a todo Brasil em curto tempo. De como Danilo realizava milagres debaixo da trave.
Não era real, o momento queria perdurar por mais tempo. Arrancam-se páginas finais, então, para que a história não tenha fim. Como quem pedisse para ser eternizada, foi cruel: sonhos interrompidos e o eterno enigma de como teria sido o resultado e a vida de cada um. Da tragédia, o verde derramado ao mundo, como quem obrigasse todos os continentes a conhecer uma história tão bonita e cruel que só o futebol é capaz de escrever.
Não foi o final, mas sim a eternização do meio.
(Texto do nosso atleta Claudio Cavalieri)