21/04/2026
A história de um praticante de artes marciais é escrita no suor do dia a dia, mas é selada na alma pelos encontros que a vida proporciona. Para mim, o capítulo mais profundo dessa jornada começou em 2009, sob o horizonte de arranha-céus de Manhattan, na escola em Nova York que servia de portal para o universo do Grão-Mestre Tony Chuy.
Lembro-me daquele primeiro contato como se o tempo não tivesse passado. Ao entrar na escola do Grão-Mestre, a atmosfera era de uma seriedade reverente. Ele já sabia quem eu era e o propósito da minha visita, mas o mestre testa o aluno antes mesmo do primeiro soco. Quando ele me questionou sobre o que eu já sabia e o que pretendia ali, o silêncio momentâneo da minha reação foi o meu primeiro aprendizado: era o olhar de um ícone buscando decifrar a essência de quem pisava em seu solo.
Com o passar dos dias, a rigidez deu lugar à abertura. O respeito que dediquei a ele foi devolvido com a generosidade de quem detém um conhecimento milenar. Foram treinos levados à exaustão, onde cada correção de postura e cada detalhe do Louva-a-Deus Sete Estrelas expandia meu horizonte, transformando minha visão sobre o que significa ser um artista marcial.
Tive o privilégio de cruzar o oceano por três vezes para beber direto da fonte em Nova York. Cada visita era uma imersão na consciência de um sistema que o Grão-Mestre Chuy defendeu e ensinou por toda a vida. No entanto, o destino reservaria um capítulo especial em solo brasileiro.
Um dos momentos mais emocionantes dessa trajetória ocorreu quando o Grão-Mestre, em férias no Rio de Janeiro, manifestou o desejo de conhecer a nossa escola. O que se seguiu foi uma lição de etiqueta marcial: ele fez questão de apenas assistir à aula, um gesto de profundo respeito à minha autoridade como instrutor perante meus alunos.
Somente após minha insistência fervorosa, ele aceitou assumir o comando. Naquela noite agradável, ele ensinou a forma das Dezoito Mãos, destrinchando técnicas, tempos e insights que só a maestria permite. Ao final, visivelmente tocado, ele compartilhou palavras que guardarei para sempre:
*Continua no primeiro comentário