16/08/2022
No treino de musculação ocorre aumento de radicais livres (“sujeira”) devido à hipóxia gerada principalmente na fase concêntrica do movimento e da elevação da atividade metabólica para geração de ATP.
Os radicais livres podem diminuir a capacidade muscular de gerar força, afetando a função das proteínas de actina e miosina e a regulação do cálcio do retículo sarcoplasmático, levando assim, à fadiga muscular.
Devido a isso, muitas vezes a suplementação de antioxidantes (como a vitamina C e vitamina E) é indicada porque leva a diminuição dos radicais livres, reduz o dano no organismo, potencializa o rendimento e consequentemente aumentaria a hipertrofia muscular.
Portanto, a suplementação com vitamina C e E é maravilhoso, certo???
Claro que não!!!
A meta-análise publicada por Dutra et al. (2020) mostra que a suplementação com vitamina C e E não potencializa a hipertrofia muscular, e na verdade, pode atenuar a hipertrofia ao longo do tempo.
O estudo de Pastor et al. (2019) mostra que a administração crônica de suplementos antioxidantes podem prejudicar as adaptações frente ao treinamento.
O artigo científico publicado na International Journal of Exercise Science (2019) também aborda que a suplementação crônica de antioxidantes podem reduzir as melhorias na composição corporal.
A diminuição da hipertrofia muscular que acontece com o uso da suplementação crônica de antioxidantes ocorre porque os radicais livres aumentam a atividade de importantes vias moleculares da hipertrofia, como a via da MAPK (proteína quinase ativada por mitógeno).
Sendo assim, os radicais livres não podem ser vistos apenas como vilões, pois eles se tornam problemas para o organismo apenas quando ficam elevados o tempo todo, como na obesidade, diabetes e hipertensão arterial, e não quando são produzidos durante o treino.
Também é importante sabermos que a musculação leva ao aumento fisiológico das enzimas antioxidantes, fazendo com que esses radicais livres não sejam problemas para os órgãos e sistemas.
Portanto, é necessário que possamos entender as respostas fisiológicas frente as intervenções da dieta e do treinamento, senão podemos promover prejuízos sobre algumas adaptações que estamos na verdade querendo melhorar.