27/08/2026
Obesidade infantil: quando a solução dos pais vira parte do problema
Mounjaro não pode ser tratado como atalho para compensar a irresponsabilidade alimentar dos adultos.
A obesidade infantil é um problema sério e multifatorial. Mas existe algo que precisa ser dito com clareza: a criança não é responsável sozinha pelo ambiente alimentar em que vive.
Se dentro de casa predominam ultraprocessados, refrigerantes, excesso de açúcar, porções inadequadas, pouca atividade física e uma rotina desorganizada, simplesmente colocar a criança em uma dieta restritiva — ou pensar em medicamento como primeira solução — não resolve a causa do problema.
E aqui entra uma questão ainda mais delicada: Mounjaro (tirzepatida) é medicamento, não ferramenta estética. Seu uso em crianças e adolescentes deve ser uma decisão médica, dentro das indicações apropriadas, com acompanhamento profissional. Não é algo que pais devam administrar por conta própria para fazer o filho emagrecer.
Antes de pensar em “secar” uma criança, precisamos perguntar:
Que exemplo essa criança está recebendo dentro de casa?
Pais não precisam criar uma dieta perfeita. Precisam criar um ambiente mais saudável.
Mais comida de verdade.
Menos ultraprocessados.
Mais movimento.
Menos sedentarismo.
Mais rotina.
Menos comida como recompensa ou compensação.
E, principalmente, menos cobrança sobre o corpo da criança e mais responsabilidade dos adultos pelas escolhas que colocam dentro de casa.
Combater a obesidade infantil não começa com uma caneta. Começa com educação, hábitos, exemplo e acompanhamento profissional.
Medicamento pode fazer parte do tratamento de algumas pessoas. Mas não deve ser usado para substituir aquilo que os adultos têm obrigação de ensinar e praticar: alimentação adequada, atividade física e hábitos saudáveis.