07/11/2023
Aqui foi onde tudo começou.
Confesso que não lembro bem do meu primeiro jogo no Maracanã. Segundo meu pai, foi um Fla-Flu qualquer numa tarde de um fim de semana dos anos 90.
Sim, sou filho dos anos 90.
Cresci no pior momento da nossa história. Acompanhei nosso renascimento. Chorei naquele Atlético-PR e Flu, pelo Brasileiro. E contra o São Caetano. E contra o Corinthians.
Títulos? Escassos. Não é fácil ir até o inferno e voltar, a gente sabe.
E aí veio 2007. Copa do Brasil. Tantos anos depois, vencíamos, mais uma vez, um torneio nacional.
E veio 2008.
É redundante falar sobre 2008, porque todo mundo tem sua história sobre aquela campanha.
E eu, que vi aquele time sair do fundo do poço e voltar a ter protagonismo nacional, sentia que era o teto. "Não vamos vencer isso nunca, deixa pra lá."
2009, 2010, 2011, 2012. Virei adulto vendo desde um milagre para não cair até um título com certa "tranquilidade".
Vi um grande ídolo da minha geração ir embora. Também vi ele voltar.
E os anos foram passando, passando... E eu continuava obcecado pelo meu maior sonho.
Em 2019, cheguei a Buenos Aires. No mesmo ano, com um grande amigo, começamos a torcida por aqui.
Pandemia, gente que vai, gente que vem.
Mas formamos um grupo que amenizou a saudade do nosso amor maior: aquele certo time de três cores.
De casa, eliminação pro Barcelona-EQU.
Da rua, outra apunhalada. Olímpia, mais uma vez.
Voltei aos mesmos pensamentos.
"Aquilo não é para nós. Não vamos conseguir nunca."
E aí veio 2023.
Fomos ao Monumental e ao Diego Armando Maradona. Fomos ao Paraguai. Viemos contra o Inter e, no último sábado, pude realizar o maior sonho da minha vida.
Neste exato momento, volto para a Argentina com a sensação de dever cumprido.
Sei que o clima lá não vai estar dos melhores para nós por um bom tempo.
Cá pra nós: já era esperado.
Mas, para quem viveu o inferno, isso não é nada.
Até porque a tarde do último sábado foi como estar no paraíso: leve, serena e libertadora.