26/10/2020
O terrorismo biomecânico virou uma praga na Educação Física com os te**es para detectar “distúrbios” posturais e de movimento. Com isso, emitem-se diagnósticos catastróficos e vendem-se soluções para problemas inexistentes. Busca-se o “movimento perfeito”, proíbe-se exercícios básicos e vende-se treinos corretivos, de mobilidade, etc. Mas, em primeiro lugar, não há evidências consistentes que NENHUM teste prediga lesões. Em segundo, é CONTROVERSO se os treinos corretivos alterem o padrão de movimento. Terceiro, NÃO EXISTE MOVIMENTO PERFEITO! Cada pessoa tem adaptações intrínsecas que a tornam única, inclusive, muitas alterações motoras/posturais não são causas e sim consequências dos problemas.
O terrorismo faz pessoas se entregarem a inutilidades em vez de treinar. Mas é o fortalecimento que é associado a parâmetros de Saúde, aumento de longevidade, reduções de dores, lesões, etc.
Evidência interessante veio de Silva et al. (2020) no qual se analisou o padrão de movimento (3D e plataformas de força) ao subir escadas e a cinesiofobia em mulheres com dores patelofemorais e estudaram suas associações com dor a perdas funcionais. Agora vem a melhor parte. NENHUM parâmetro biomecânico foi associado à dor ou funcionalidade. A cinesiofobia, por outro lado, foi associada tanto à dor quanto à perda funcional, chegando a explicar 33% das variações na funcionalidade. Olha isso! O medo de movimento está associado com perda de função e dor, as alterações de movimento, não!
Entende porquê critico avaliações posturais/de movimento? Em vez de treinar pessoas e as fazerem voltar à vida, eles criam proibições, restrições e reforçam a cinesiofobia! Enquanto temos fisioterapeutas mostrando a importância do fortalecimento, vemos professores de Educação Física indo na contramão, inventando diagnósticos e propagando medo. Sem mimimi, pois isso não significa negar cuidados na progressão e na técnica de execução do exercício, o que que não demanda te**es específicos, e sim conhecimento de biomecânica e de treinamento.
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(Paulo Gentil – www.paulogentil.com)
De Oliveira Silva D, W***y RW, Barton CJ, Christensen K, Pazzinatto MF, Azevedo FM. Pain and disability in women with patellofemoral pain relate to kinesiophobia, but not to patellofemoral joint loading variables. Scand J Med Sci Sports. 2020 Jul 9. doi: 10.1111/sms.13767. Epub ahead of print. PMID: 32645745.