26/11/2021
Dizem que a grande vergonha da história do Náutico é a derrota para o Grêmio, a Batalha dos Aflitos. Não é.
A maior vergonha do clube é sua postura nos temas sensíveis da sociedade. Não bastasse o já conhecido passado ra***ta, o clube recentemente tem passado por polêmicas em todas as esferas possíveis.
Caso de racismo no jogo sub-20 com uma postura omissa da diretoria, caso de gritos homofóbicos de um grupo de torcedores nos Aflitos.
Agora a torcida assiste, completamente incrédula, a um escândalo sem precedentes de casos de assédios sexual e moral dentro do clube.
A denúncia de Tatiana Roma motivou outras mulheres do clube a se manifestarem contra o assediador, que tinha um modus operandi semelhante com outras funcionárias.
E aí veio a entrevista desastrosa de Edno Melo na Rádio Jornal: defendendo o assediador (seu irmão), e acusando a vítima de estar se aproveitando das eleições para conturbar.
E se ainda tinha gente que preferia desacreditar das palavras das mulheres assediadas, alegando não haver provas, eis que surge uma prova aterradora: uma adolescente de apenas 15 anos, parente de Errisson, relatou ter sido assediada por ele várias vezes.
E divulgou um áudio que gravou de um desses momentos. Triste, revoltante, mas um ato corajoso e necessário para dar razão a todas as mulheres vítimas do criminoso.
O Náutico não é Edno Melo. O Náutico é sua torcida, que está em peso apoiando as mulheres que sofreram os abusos. O Náutico é sua torcida, que está pedindo punição exemplar a Errisson e renúncia de Edno.
Edno Melo teve que escolher: o irmão ou o Náutico. Ele escolheu o irmão. E o Náutico escolhe não querer mais Edno Melo. Pois gestão nenhuma se sobrepõe ao respeito e bem-estar das pessoas.
A batalha contra o preconceito, contra a humilhação. A batalha que dura 120 anos.
Essa é a verdadeira e eterna Batalha dos Aflitos.