30/08/2026
Comecei a correr com uma ideia bem simples na cabeça: parar de fumar. Na minha família, o histórico de problemas cardíacos e câncer de pulmão sempre esteve por perto. Eu sabia que precisava tomar uma atitude antes que fosse tarde demais.
Só que a mente de quem é viciado é mestre em criar armadilhas. No começo, achei que o esforço físico ia me forçar a largar o cigarro, mas as duas coisas acabaram coexistindo. Eu corria, e corria bem. Conseguia fazer o pace de seis minutos por quilômetro mesmo fumando. Essa performance me dava uma falsa sensação de controle, como se o esporte anulasse o estrago do tabaco. Criei até um acordo silencioso comigo mesma: só me permitia acender o primeiro cigarro do dia depois que terminasse o meu treino matinal.
A corrida sempre foi leve para mim, meu verdadeiro lugar seguro nos momentos mais caóticos, como mudanças de cidade e um divórcio doloroso. Mas eu corria sem rumo. Depois de cruzar a linha da São Silvestre, me empolguei e me inscrevi para a Meia Maratona do Rio. Sem nenhuma orientação, acabei me machucando feio e fiquei pelo caminho.
Foi essa frustração que me fez buscar ajuda. Encontrei o Clube Corrida Perfeita, e o suporte deles me trouxe a técnica que eu precisava para correr sem dor, além do sentimento de não estar mais sozinha. Agora, com a preparação certa e o corpo verdadeiramente fortalecido, o jogo mudou. Estou pronta e, no dia 18/10, vou finalmente correr a minha primeira meia maratona oficial, com toda a orientação que eu sempre precisei.
Hoje, as negociações com o cigarro finalmente acabaram. A corrida se transformou no espaço onde eu me reorganizo, limpo a minha mente de verdade e volto para mim mesma.
— Cecilia Schwemler
Membro do Clube Corrida Perfeita
Em celebração à superação do vício, no Dia Nacional de Combate ao Fumo.