08/09/2026
As nomenclaturas Shuri-te, Naha-te e Tomari-te surgiram para designar as três principais correntes do Karatedō em Okinawa, mas, apesar de parecerem ancestrais, esses nomes são relativamente recentes, tendo sido criados apenas na década de 1920.
Abaixo, detalha-se a origem e o motivo da criação desses termos:
1. O Contexto Político: Do Tōde ao Te Local
Antes dessa classificação, a arte era conhecida genericamente em Okinawa como Tōde ("Mãos Chinesas") ou simplesmente Te ("Mão"). No entanto, durante as décadas de 1920 e 1930, o forte sentimento nacionalista e antichinês no Japão continental tornou a conexão com a China um obstáculo para a aceitação da arte.
2. A Visita de Kanō Jigorō (1927)
O marco fundamental para a criação desses nomes foi a preparação para a visita de Kanō Jigorō (fundador do Jūdō) a Okinawa, em janeiro de 1927. A prefeitura local desejava apresentar a arte ao ilustre visitante como um produto cultural nativo de Okinawa, e não como uma técnica estrangeira importada da China.
3. A Origem Geográfica dos Mestres
Como os mestres selecionados para realizar a demonstração técnica para Kanō Jigorō eram provenientes de centros distintos, surgiu a ideia de associar o termo antigo "Te" às suas respectivas cidades de origem:
* Shuri-te: Associado ao mestre Mabuni Kenwa, que era natural de Shuri, o centro político e aristocrático de Okinawa.
* Naha-te: Associado ao mestre Miyagi Chōjun, natural de Naha, a principal cidade comercial e portuária.
* Tomari-te: Associado ao mestre Kyan Chōtoku, cujas técnicas eram vinculadas à vila portuária de Tomari.
4. Proximidade e Fusão
Embora as correntes tivessem características técnicas distintas — com o Shuri-te focando em velocidade e movimentos lineares, e o Naha-te em respiração e força física —, as três localidades eram muito próximas, situando-se num raio de cerca de cinco quilômetros. Atualmente, Shuri e Tomari deixaram de ser cidades independentes e tornaram-se bairros de Naha.
Em resumo, os nomes Shuri-te, Naha-te e Tomari-te foram "rótulos" inventados por razões políticas e culturais para facilitar a integração do Karate no sistema de Budō japonês, legitimando a arte como uma tradição intrinsecamente okinawana.