25/01/2026
Ao longo das minhas palestras em universidades, escolas, apresentações de artes marciais e conversas com autoridades, essa frase sempre aparece:
“Eu não gosto de artes marciais porque sou pacifista.”
E é aí que nasce o debate.
Porque ser pacífico não é o mesmo que ser submisso.
Na tradição chinesa, especialmente no Confucionismo e no Budismo Chan (Zen), a paz nunca foi confundida com incapacidade. O homem virtuoso, para Confúcio, é aquele que cultiva equilíbrio, retidão e domínio de si não alguém frágil diante do conflito. No Chan, a não-violência nasce da lucidez e da consciência, não da ausência de força. Só escolhe não agir quem tem a capacidade de agir.
Já no Ocidente, parte da ideia de pacifismo foi distorcida ao longo da história. Leituras superficiais do cristianismo especialmente durante o colonialismo ensinaram a povos colonizados, negros, indígenas e escravizados que ser pacífico significava obedecer, aceitar, sofrer em silêncio. A submissão foi vendida como virtude espiritual. “Aguente agora para ganhar o céu depois.”
Isso não é paz.
Isso é dominação.
Pacifista não é quem não sabe lutar.
Pacifista é quem pode lutar, conhece o dano que pode causar, domina a técnica e ainda assim escolhe não usá-la.
Sem poder, não existe escolha.
Existe apenas condição.