05/04/2017
Salve galera, beleza?
Se liguem no texto IMPORTANTÍSSIMO que nosso brother Marcus Adamowicz elaborou!
Para nós, homens, vale a reflexão e a tentativa constante da correção de nossas posturas. Para as mulheres, seria interessante a participação ativa com suas opiniões, opinião de quem vivencia estas atitudes cotidianamente.
Xô preguiça e bora ler?! Boa leitura!
O MACHISMO PRESENTE NO MOUNTAIN BIKE/CICLISMO E NO ESPORTE.
Galera, como ontem havia comentado, iria redigir um texto apontando alguns elementos sobre as questões de gênero no meio esportivo.
O que me motivou a isso, foi após assistir a um vídeo teaser de um grande evento e na sequência de entrevistas ver a diferença nas abordagens dada para homens e mulheres.
Vale ressaltar, são situações vistas através de um olhar masculino, onde gosto de refletir sobre esta questões, mas cabe a mulher elencar com propriedade algumas dessas situações.
Para facilidade de compreensão, irei elencar os exemplos em pontos.
- A MULHER VISTA COMO PRODUTO: Isso não é uma exclusividade dos grandes eventos de mountain bike ou ciclismo, mas de todo o meio esportivo. Em materiais de divulgação, vídeos, premiações, é comum a idéia repassada da mulher "bela, linda, branca, loira".
Em grandes eventos esportivos, a premiação masculina costuma ser realizada por modelos (quem não lembra do constrangimento causado pelo Sagan a anos atrás). Algo que não ocorre na premiação feminina, onde geralmente quem premia os vencedores são representantes de patrocinadores/organizadores/confederações.
- A DESVALORIZAÇÃO NA PREMIAÇÃO: Outro exemplo no âmbito competitivo e de fácil compreensão. A premiação de categorias semelhantes para homem e mulher são diferentes. Em todos os eventos que competi no ambito amador, a premiação dada aos homens sempre foi diferente. Inclusive em brindes de patrocinadores. Nas categorias elite e nos eventos CBC e UCI isso também se repete.
- A MULHER VISTA COMO "PRESA": Agora irei abordar um pouco o lado mais amador do mountain bike, os passeios descompromissados de final de semana/pedais noturnos/passeios em grupo. É comum, e muito chato ver outros homens indo para os passeios afim de "passar cantadas" nas meninas.
Aquele cara que acha "legal" andar de roda só para ficar reparando no corpo das meninas devido ao bretelle apertado. Aquele que insiste em querer "levar embora" com a desculpa de segurança e assim por diante.
Ou pior, aquele mané que entra/faz parte dos grupos de whatts, ai viu a menina 1, 2 vezes em um passeio, não possui intimidade alguma e começa a mandar cantadas no privado. Isso é intimidador pra caramba para as mulheres. Ela irá se sujeitar a ir para um próximo passeio, sabendo que estará presente uma pessoa deste tipo? Acredito que não.
Eu tenho um amiga, que só pedala comigo devido a assédios sofridos. Com a minha irmã é a mesma situação, só sai comigo pois sente-se segura. E isso é muito chato, prejudica a popularização do esporte e acaba levando muitas mulheres a desistir de seguir na modalidade.
- A EXIGÊNCIA DE UM PADRÃO DE BELEZA: Está um pouco ligado ao ítem anterior, mas também é algo muito chato. Gente, esporte antes de mais nada, é um meio sensacional para transformação pra melhora na vida das pessoas.
Tem gente que se livra das dr**as, do vício, do tabagismo, do alcoolismo, da depressão através do mountain bike ou de outras modalidades esportivas. Assim como muita gente melhora sua condição de saúde através da bicicleta. A redução de peso e a melhora na qualidade de vida é facilmente perceptível após alguns meses de pedalada.
Mas sempre tem um id**ta no meio, para fazer piadinhas "ish, olha a gordinha vindo"; "nossa, olha o tamanho da criança", "com esse peso vai sofrer hoje".
Gente, a condição física do outro não compete a ninguém julgar. E por muitas vezes, essa pessoa está disposta e buscando uma melhora em seu condicionamento físico. E comentários como este fazem o papel contrário, inferiorizam essa pessoa e não incentivam em nada elas a continuar no esporte.
O engraçado que o tom dado aos homens gordinhos do pedal é diferente, "é excesso de cerveja", "churrascada toda semana" e assim por diante. (e que também não compete a ninguém julgar).
- A MULHER COMO MAIS FRACA: Isso ocorre no ambiente competitivo/treinamento e no espaço amador/passeio. Sempre tem aquele Zé Bunda, que se acha o Henrique Avancini ou o Nino Schurter mas não pedala p***a nenhuma, e vai pros passeios achando que é corrida. E quer dar cacetada encima dos mais fracos e principalmente fazer moral pras meninas.
Gente, isso é ridículo, você só está fazendo papel de trouxa. Não é porque você socou a bota subindo o ladeirão que você é o cara, muito menos por fazer uma curva tirando fina de iniciante e jogando pedregulho pra todo lado que você é o piloto do MTB.
Se você quer provar ser o cara, tem inúmeras competições, com inúmeras categorias e níveis de competidores. Vá bater roda por ai, tentar segurar 5 km escapado de um pelotão e chegue entre os 5. Ai sim você será respeitado como um competidor.
No meio esportivo, também tem aquele cara, que quando alguém da categoria feminina lhe ultrapassa vê isso como uma ofensa. Não cara, ela está lá fazendo a prova dela e está andando mais que você.
Aceite isso e treine mais.
- A MULHER COMO "BURRA": Dicas para amadores e iniciantes são legais. É é bacana a troca de conhecimento nos pedais em grupo. Mas não é porque existe participantes femininas, que elas não saibam conduzir a bicicleta.
É chato pra caramba ouvir aquele cara cornetando "mais rápido, mais devagar, olha a curva, olha o carro, olha o buraco, freia, solta o freio". Ela está no controle da bicicleta, e sabe as ações a serem tomadas.
- A MULHER COMO "ACOMPANHANTE": O que me motivou a escrever tudo isso, foi exatamente esse ponto. Assisti a um vídeo de um grande evento de SC e percebi isso nas entrevistas. Tenho certeza que foi algo impensado pois este evento é um dos melhores do Brasil.
Mas nas entrevistas direcionadas aos casais, o entrevistado era sempre o homem. E com aquelas respostas "eu já treinava, depois ela começou a me acompanhar nos regenerativos", "eu ia correr os 100km, mas ai ela se empolgou e corremos em dupla nos 50km".
Nunca se vê o oposto, da mulher como incentivadora do namorado/marido/amigo, e sempre com o homem precisando "andar menos/mais fraco" ao estar com uma mulher.
Enfim galera, acho que era isso.
Com certeza existe outras situações, mas elenquei as principais que com o tempo acabei vendo ocorrer.
Se queremos um esporte melhor, mais participativo, inclusivo e divertido; acho que vale a reflexão. Inclusive para homens mudarem suas atitudes e para as mulheres venham a participar cada vez mais do mountain bike.
O mountain bike é sensacional; o visual, as sensações, o contato com a natureza. Quem cria os problemas somos nós.
Abraços!
Autor: Marcus Adamowicz