14/03/2016
Um poquinho sobre futebol feminino. Bem interessante
O primeiro registro que se tem sobre futebol feminino vem obviamente da Inglaterra, onde o esporte nasceu, numa partida entre Inglaterra x Escócia acontecida em 1898, em Londres. No Brasil, existem registros de partidas mistas, com homens e mulheres juntos, em 1908 e 1909. Durante muito tempo um evento beneficiente ocorrido em 1913 foi considerado a primeira partida de futebol feminino no Brasil, mas anos depois foi descoberto que, na verdade, o time “feminino” era formado por jogadores do Sport Club Americano, campeão paulista daquele ano, vestidos de mulher, misturados a “senhoritas da sociedade”.
Sendo assim, então, oficialmente a primeira partida de futebol feminino no Brasil ocorreu em 1921, entre senhoritas dos bairros Tremembé e Cantareira (que hoje seria Santana), na zona norte de São Paulo. Essa partida foi noticiada pelo jornal A Gazeta como uma atração “curiosa”, quando não “cômica”, em meio às festas juninas. Isso porque, naquele tempo, as mulheres tinham um papel secundário no esporte, particularmente no futebol. Em geral, limitavam-se à torcida e a concursos de madrinhas de clubes. Em campo, no máximo, davam o pontapé inicial ou disputavam tiros livres.
O preconceito era muito grande e o futebol era visto como um esporte bruto, impróprio para damas. O exagero era tanto que jogadores de uma partida ocorrida na década de 40, em São João da Boa Vista (SP), mereceu excomunhão da Igreja Católica. Já em 1941, aconteceu o primeiro jogo masculino apitado por uma mulher, num amistoso entre o Serrano de Petrópolis contra o América do Rio. Na ocasião, o árbitro passou mal e uma atleta da partida preliminar ao amistoso assumiu o apito.
Entretanto, o futebol de mulheres no Brasil não agradava às famílias conservadoras, o que gerou a criação de um decreto-lei do Estado Novo, na década de 40, proibindo a “prática de esportes incompatíveis com a natureza feminina”. Essa lei durou até 1979 e, além do futebol (tanto de campo como de salão), impedia que as mulheres praticassem lutas de qualquer natureza, pólo e halterofilismo.
Imediatamente após a lei ser revogada, várias equipes e ligas foram sendo criadas pelo Brasil, dentre elas a equipe carioca do Radar, que a partir de 1982 conquistou diversos títulos nacionais e internacionais. O SAAD de São Paulo também surgiu com força máxima, dando um toque especial de rivalidade no esporte.