31/12/2025
Quem fala “a tarde caiu”, assim o faz ou por hábito ou por pura preguiça de observar e analisar se aquilo é mesmo uma queda. Quando o sol ajeita-se suavemente sobre a paisagem macia e põe-se a tingir a franja do céu e o fundo das nossas retinas com o pigmento luminoso das suas labaredas, aqueles são minutos de contemplação suaves demais.
O matiz deste ano foi rubro de muitas maneiras. Teve desejo, coragem, raiva e urgência. O vermelho da alegria, do amor e também aquele do sangue inocente que se misturou, e o que deu foi a mesma e certa antiquíssima cor.
Ardendo e abrindo caminhos à força, feito lava sibilante que ao fim da jornada encontra o mar e, imediatamente, muda de forma, se enegrece e esconde-se lá no fundo, longe dos olhos de todos os viventes.
Que o fim do ano seja não somente feliz mas indolor.
Que a memória me falhe e outras me venham à tona.
Texto: Renato Alarcão .alarcao
Vídeo: .priori