28/09/2022
O Engenho do Gericinó no Bicentenário da Independência - Mesquita / Nilópolis - RJ
Foi no Engenho do Gericinó, localizado nos pés do maciço de mesmo nome, que residiu um grande nome do processo de Independência do Brasil. Foi ele Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira e Horta, o Marquês de Barbacena, escolhido pelo recém aclamado Imperador Dom Pedro I para a missão de negociar o reconhecimento da Independência por outras nações, principalmente Inglaterra e Portugal. Foi enviado em missão diplomática a Londres, onde também conseguiu recursos para sustentar a economia do novo Império, através de um empréstimo junto aos ingleses, no total de três milhões de libras esterlinas.
O grande estadista habitou no Engenho do Gericinó a partir de 1830, período em que se encontrava com a saúde debilitada. Foi a recomendação médica que o fez procurar o clima agradável da região, longe do calor da cidade. Este mesmo engenho chegou a receber a visita de Dom Pedro I, quando ainda era propriedade de Idelfonso Caldeira Brant, o Visconde de Gericinó, que foi camarista do mesmo imperador. O Visconde de Gericinó foi irmão do patriota Marquês de Barbacena.
Da família saíram outros grandes nomes do primeiro e segundo reinado, como o Conde de Iguaçu, genro de Dom Pedro I, a Viscondessa de Santo Amaro e o segundo Visconde de Barbacena, todos filhos do marquês.
As terras do antigo engenho pertenciam a antiga Freguesia de São João de Meriti, termo da Vila de Iguassú. Hoje correspondem a parte dos municípios de Mesquita e Nilópolis, nos trechos não urbanizados, dentro do Campo de Instrução do Gericinó. Apesar de existir um bairro de mesmo nome no Rio, os limites do engenho não passavam para o seu lado. Os muros do campo de instrução, feitos sob os limites do engenho, ainda constituem a linha divisória entre o Rio e a Baixada Fluminense.
Na imagem aérea em anexo, de 1940, podemos ver as terras do antigo engenho, já ocupadas pelo exército. A casa sede do engenho, já inexistente, se localizava nos fundos da imagem, no canto superior direito, próximo ao maciço, precisamente aos pés daquele que ainda é chamado Morro do Cemitério, dentro dos limites de Mesquita.
Por Hugo Delphim - Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu. Fonte da imagem: Brasiliana Fotográfica.
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