28/05/2026
Maracanã: o maior livro de histórias do Brasil.
Luzes tricolores no teto. A saída do metrô, na rampa da estação Maracanã, sinalizava ao Rio de Janeiro que, naquela noite, a cidade vestia verde, branco e grená.
Cheguei cedo por costume. O jogo no Maracanã, para mim, começa antes da bola rolar, nos arredores do estádio.
Meu telefone estava com a bateria baixa, procurei pelos arredores do estádio um bar que tivesse uma tomada para que eu pudesse carregá-lo.
O primeiro que vi, entrei. Peguei uma cerveja para não soar folgado e fui em direção a tomada que ficava numa parede ao lado do banheiro, sem mesas e cadeiras, apenas duas tomadas. A primeira ocupada, tinha um tricolor em pé, também carregando seu telefone. Me encostei ao seu lado, coloquei meu celular no carregador e, rapidamente, puxamos assunto.
Ele me falava sobre a dificuldade que seria o jogo. Falava também sobre como seria duro o jogo na Bolívia.
Logo, começou a me contar suas histórias de Maracanã com o Fluminense. Falou sobre 2008 e a dor que sentiu. Falou-me também sobre 2023 e a sensação indescritível de alívio e felicidade, alegando que, a partir dali, poderia descansar eternamente.
Rapidamente, um pequeno grupo de tricolores se juntou a nós. A fila para o banheiro era grande, e entre uma ida e outra, alguém também contribuía com suas histórias.
Resolvi entrar no estádio. Inexplicavelmente, sentia uma sensação de que iria presenciar um dia histórico, daqueles em que você detém dúvidas sobre qual personagem tem a história mais interessante.
Em algum momento, percebi que, aquele jogo que eu estava assistindo, era apenas 2º plano. O torcedor parecia saber que o seu papel seria cumprido, a preocupação estava na Bolívia.
Olhos nos celulares, ouvidos atentos aos telefones e radinhos, como na moda antiga. O Maracanã era inexplicavelmente um reduto de desesperançosos cheios de esperança.
Foi quando me dei conta de que, naquela noite, o Maracanã era o personagem com a história mais interessante. Como sempre. Ele apenas vestiu-se com as três cores que traduzem tradição e nos contou mais uma história inesquecível.
Mesmo sendo Rubro-Negro, não tive dúvidas em torcer para um final feliz.