09/07/2015
Me disseram hoje de manhã que havia passado ontem no Câmera Record sobre a matéria "Crianças Saradas". Então, resolvi assistir e falar alguns pontos sobre o vídeo e tentar colocar minha opinião sobre a reportagem.
1. Alimentação: é dada uma grande “grifada” sobre a rotina de alimentação da primeira criança. De acordo com o Ministério da Saúde, 1 a cada 3 crianças está acima do peso no Brasil. Aí f**a a pergunta: Qual é a situação mais polêmica: crianças obesas com sua dieta a base de fastfood ou uma criança com uma séria educação alimentar sendo saudável? E ainda reforçam uma frase muito cômica e meio sem sentido: “Quem supervisiona a alimentação de Pedro é a mãe. Só que ela não é médica, é nutricionista.” HAHAHAHAHA Não sei, mas acho que ela entende mais de alimentação do que um médico.
2. Rotina de treinamento: em todos os casos, nota-se uma diversão das crianças em seu treinamento, exceto os casos dos esportes de alto rendimento. Mas o que eu não entendo é o repórter fazer umas perguntas “você já se machucou?”. Pode-se machucar andando em qualquer lugar (fraturei minha fíbula pisando num buraco no meio da rua, mas não parei de andar). Logo após, um doutor fala de “possíveis lesões irreversíveis tirando a possibilidade de a criança ser um atleta”. Não vamos ser hipócritas, não se faz um atleta de ponta, ainda mais na ginástica, começando suas experiências com 19 anos. E a fala do Diego Hypólito, campeão bimundial e que começou a treinar antes dos 9 anos, é muito interessante, dizendo que seu primo treina porque gosta, porque ele quer. Aí os mesmos que fazem essas reportagens, olham as equipes chinesas, japonesas, russas ou americanas, grande maioria com idade abaixo de 18 anos, detonando numa Olimpíada e querem que o Brasil ganhe todas as medalhas ou questionam o porquê da queda do esporte brasileiro. Sobre lesões irreversíveis, só me lembro o da ginasta Laís Souza (com a graça de Deus e com seu espírito competitivo, já está conseguindo reverter) que, DEPOIS DOS 18 ANOS e com a estrutura óssea totalmente formada, foi desafiada pela delegação brasileira a encarar um esporte que era “parecido” com o da Ginástica Artística, se arrependendo depois do acidente.
3. Vaidade excessiva e Referência de beleza: vamos combinar que vaidade excessiva é o que a própria mídia vende! Nada mais. Quanto à referência, assim como alguns meninos querem ser o Neymar, e algumas meninas querem ser como a Dayane dos Santos, por exemplo, é óbvio que uma criança que pratica exercícios físicos numa academia quer f**ar como a Juju Salimeni ou outra “mulher sarada” QUANDO CRESCER (afinal, as duas praticam a mesma modalidade).
4. A “Superexposição”: é muito engraçado como uma menina não pode ter um Instagram como seu diário (já que é séc XXI) falando sobre exercícios físicos e uma Bruna Marquezine ou Larissa Manoela (nada contra, afinal é a profissão delas) podem aparecer ou apareceram em novelas e até entre alguns fofoqueiros de celebridades quando crianças. E ainda perguntam pra menina “como é que você se sentiu quando perdeu tantos seguidores?”... É a mesma coisa que dar um beliscão e perguntar se doeu.
Esporte e exercícios físicos são bons para crianças sim! A disciplina e o respeito (mostrada explicitamente pelo guarda mirim) fazem parte do âmbito esportivo e cidadão. Saber dosar uma rotina de treino é a mesma coisa de saber dosar uma matéria jornalística. É saber os prós e contras e colocar em prática o que é melhor para resultados e prevenção de lesões do praticante, ou publicar o que é melhor para esclarecimento e prevenção de críticas ou ainda mais dúvidas por parte dos telespectadores.