18/04/2026
Ele chegou a Belo Horizonte trabalhando como descarregador de caminhão. Sem dinheiro, sem contatos e começando do zero, Pedro Lourenço construiu uma trajetória que hoje impressiona qualquer empresário do país.
Nascido em Paineiras, às margens do Rio São Francisco, filho de lavradores, ele se mudou ainda jovem em busca de oportunidade. Começou na base do varejo, descarregando caminhões, repondo prateleiras e fazendo serviços gerais. Antes de ter qualquer cargo, aprendeu tudo na prática, entendendo cada detalhe do negócio de dentro para fora.
Em 1996, aos 40 anos, abriu sua primeira loja no bairro São Benedito, em Santa Luzia. Enquanto a maioria das redes focava na classe alta, ele enxergou valor onde poucos olhavam. Apostou nas regiões periféricas e no público das classes C, D e E, que sempre demonstraram uma fidelidade ignorada pelos grandes varejistas.
A estratégia era clara desde o início. Trabalhar com preços competitivos, operação eficiente e margens enxutas. Em vez de retirar lucro, ele reinvestia tudo para crescer. Em 2004, vendeu parte da operação não para enriquecer, mas para comprar concorrentes em dificuldade e acelerar ainda mais a expansão.
O resultado dessa visão é gigante. Em 2025, a rede adquiriu 54 lojas do Bretas por R$ 716 milhões. Hoje são mais de 400 unidades, cerca de 44 mil funcionários, frota própria com 460 caminhões e um centro logístico de 420 mil metros quadrados em Contagem. O faturamento projetado chega a R$ 25 bilhões, superando grandes nomes do setor mesmo operando em apenas dois estados.
Mas a história não para no varejo. Em 2024, ele comprou 90% da SAF do Cruzeiro, que pertencia a Ronaldo Nazário, por cerca de R$ 600 milhões. Essa entrada não foi por acaso. Ainda na crise de 2019, ele já ajudava o clube como fiador, pagando dívidas internacionais e salários atrasados. Quando surgiu a oportunidade, ele já fazia parte da reconstrução.
E existe um detalhe que mostra muito sobre sua forma de agir. Em 2016, quando Gusttavo Lima enfrentava dificuldades para gravar um DVD, Pedrinho emprestou cerca de R$ 6 milhões sem contrato ou garantia, apenas na base da confiança. Anos depois, essa relação virou parceria em investimentos imobiliários.
Hoje, com um patrimônio estimado em bilhões, a trajetória de Pedrinho BH deixa uma lição clara. Crescimento não vem apenas de luxo ou exclusividade. Vem de volume, consistência e da capacidade de enxergar valor onde a maioria não vê.