22/07/2026
Em 2013, uma frase de Winona LaDuke começou a circular pelo mundo e rapidamente se transformou em um símbolo da luta ambiental: "Alguém precisa me explicar por que querer água potável limpa faz de você um ativista, enquanto propor destruir essa água com guerra química não faz de uma corporação uma terrorista." A declaração foi feita durante sua oposição a projetos de oleodutos e ao uso de técnicas de extração que, segundo ela, colocavam rios e aquíferos em risco. A frase não era apenas uma provocação. Era um questionamento sobre quem define o que é considerado aceitável quando interesses econômicos entram em conflito com recursos essenciais à vida.
Mas Winona LaDuke nunca foi apenas uma autora de frases marcantes. Integrante da nação indígena Anishinaabe, ela dedicou décadas à defesa das terras ancestrais e dos direitos dos povos indígenas nos Estados Unidos. Em 1989, usou o prêmio financeiro que recebeu por seu trabalho em direitos humanos para criar o White Earth Land Recovery Project, organização voltada à recuperação de territórios indígenas e ao fortalecimento de economias sustentáveis dentro das comunidades nativas. Anos depois, também ajudou a fundar a Honor the Earth, iniciativa que apoia campanhas indígenas contra projetos considerados prejudiciais ao meio ambiente.
Ao longo de sua trajetória, LaDuke tornou-se uma das vozes mais conhecidas na resistência contra grandes oleodutos, mineração e outras obras que, segundo ela e diversas comunidades indígenas, ameaçam fontes de água potável. Para esses povos, a água não é apenas um recurso natural: ela faz parte de sua identidade, espiritualidade e sobrevivência. Por isso, um dos lemas mais repetidos por Winona é simples e poderoso: "A água é vida." Essa ideia se tornou um dos pilares de movimentos indígenas em toda a América do Norte.
Sua atuação também ultrapassou o ativismo ambiental. LaDuke concorreu duas vezes ao cargo de vice-presidente dos Estados Unidos pelo Partido Verde, ao lado de Ralph Nader, levando pautas sobre mudanças climáticas, soberania indígena, agricultura sustentável e energias renováveis para o debate nacional. Ao longo dos anos, recebeu reconhecimento internacional por unir defesa ambiental, direitos humanos e propostas econômicas voltadas à sustentabilidade, tornando-se uma das lideranças indígenas mais influentes de sua geração.
Independentemente da posição de cada pessoa sobre suas opiniões políticas, a pergunta lançada por Winona LaDuke continua provocando debates mais de uma década depois. Ela obriga o público a refletir sobre um contraste incômodo: por que quem luta para proteger a água costuma ser visto como um ativista, enquanto empresas acusadas de causar danos ambientais normalmente enfrentam críticas muito diferentes? Concorde ou não com sua conclusão, essa é exatamente a discussão que ela pretendia provocar — uma conversa sobre responsabilidade, poder e o valor que a sociedade atribui ao recurso mais indispensável de todos.