08/07/2026
🏚️ Favela da Praia do Pinto – Leblon, 1969: quando o Rio apagou um bairro inteiro da paisagem
Imagine um bairro inteiro apagado do mapa. Um bairro com nome, gente, cheiro de comida no fogão, jogo de bola, samba na laje. Um bairro que ficava entre os mais caros por metro quadrado da América Latina. Esse lugar existiu. E foi apagado. Se chamava Favela da Praia do Pinto, e ficava no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Na década de 1960, cerca de 9 mil pessoas viviam ali. Trabalhadores e trabalhadoras que ajudavam a erguer a cidade para os outros — mas que não podiam habitá-la com dignidade. A Praia do Pinto era uma das maiores favelas do Rio, crescendo às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, entre a Av. Epitácio Pessoa e a atual entrada do Jardim de Alah.
✨ O lugar era também um dos retratos mais gritantes da desigualdade brasileira: favelados vivendo em barracos de madeira e papelão... ao lado de mansões, clubes e shoppings que nasciam na onda da especulação imobiliária da ditadura militar.
🧨 Em 1969, um incêndio “acidental” (mas suspeito) varreu boa parte da comunidade. Mas muitos pesquisadores e ex-moradores relatam que o fogo teve mão humana e intenção política. A prefeitura já queria remover aquela população há tempos. O incêndio veio a calhar.
A tragédia virou desculpa para uma remoção forçada. E, nos anos seguintes, a Favela da Praia do Pinto foi totalmente erradicada. Seus moradores foram jogados para longe — Cidade de Deus, Vila Kennedy, Vila Aliança — lugares sem infraestrutura, sem empregos, sem transporte. Limpeza social com tinta de progresso.
🚧 O terreno “liberado” foi entregue à especulação imobiliária. Onde antes havia barracos, surgiram os prédios da Selva de Pedra — nome cruelmente irônico para o novo conjunto habitacional de luxo. E um capítulo inteiro da história carioca virou poeira sob o concreto.
📸 Hoje, poucos sabem ou lembram que, sob a fachada luxuosa do Leblon e da Lagoa, jazem as memórias soterradas da Praia do Pinto. Como um fantasma da cidade que o Rio foi ensinado a não ver.