14/05/2025
Discurso feito pelo senador Confúcio Moura na manhã de hoje !!!
*DISCURSO 09 - SOBRE O 13 DE MAIO E A REALIDADE DA POPULAÇÃO NEGRA*
Senhoras e senhores, colegas parlamentares, povo brasileiro,
Hoje é 13 de maio. Uma data marcada nos livros como o dia em que o Brasil libertou seus escravizados. Mas a história verdadeira — aquela que vive nas ruas, nas periferias, nos corpos negros — nos mostra que a liberdade que veio em 1888 foi incompleta, desigual e sem reparo.
O Brasil disse “estão livres” — mas não ofereceu escola, nem terra, nem teto, nem trabalho digno. Não estendeu a mão. E o que restou foi um povo deixado à margem, sobrevivendo com pouco ou quase nada. A abolição foi formal, mas a exclusão continua real.
Hoje, a população negra é maioria no Brasil — 56%. Mas ainda é maioria entre os pobres, entre os desempregados, entre os mortos pela violência. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 84% das pessoas mortas pela polícia em 2022 eram negras. Negros também são 67% da população carcerária.
E o racismo não mata apenas com balas. Ele também adoece. Ele cala. Ele humilha. O racismo está nas escolas públicas e privadas, onde crianças e adolescentes negros são vítimas de bullying por sua cor, seu cabelo, seus traços. São ridicularizados, silenciados, excluídos. Muitos, sem apoio, adoecem em silêncio. A depressão entre jovens negros cresce. E, infelizmente, há casos em que o sofrimento os leva ao suicídio.
Isso é intolerável. Nenhuma criança deve ter vergonha de ser quem é. Nenhum jovem deve sofrer por ser negro. Isso é fruto de um país que ainda não se reconciliou com sua história, que ainda não educou seu povo para o respeito à diversidade, para o convívio com o outro, para a valorização da identidade negra.
Não é só com cotas que vamos mudar essa realidade — embora elas sejam importantes. É com educação, com conscientização, com políticas públicas que garantam equidade e com o enfrentamento direto do racismo estrutural. Precisamos formar uma nova cultura: uma cultura de respeito, de pertencimento, de humanidade.
É difícil, sim, ser negro no Brasil. E precisamos dizer isso com toda a clareza. Mas também é urgente construir um país onde ser negro não seja sinônimo de dor, mas de força, de dignidade e de orgulho.
Quero encerrar com as palavras de *Angela Davis,* mulher negra, ativista e pensadora que inspira o mundo:
"Numa sociedade ra***ta, não basta não ser ra***ta. É preciso ser antirra***ta."
Que esse 13 de maio nos convoque não à comemoração, mas à consciência. Que ele nos lembre que ainda há muito a ser feito — e que a verdadeira liberdade só virá com justiça, com igualdade e com respeito.
Muito obrigado.
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