01/02/2022
Eu poderia começar este texto falando da inveja do vizinho, do parente, e não da minha. Mas aí está o primeiro atributo da inveja: a vergonha. A inveja é um pecado vergonhoso. Ninguém admite que sente.
Mas o que é inveja? É entristecer-se pelo sucesso alheio. É a dor de José pela vitória de João, mesmo quando José não foi prejudicado em nada.
Sabemos que a inveja é um dos sete pecados capitais. E é capital porque rende juros, ou seja, é uma transgressão que gera outras transgressões. O invejoso, por inveja, mata, rouba, mente.... Acredite, nada mais normal do que sentir inveja. É da natureza humana. Desde Caim e Abel, passando por César e chegando aos dias de hoje.
Invejar, nas palavras do historiador Leandro Karnal, vem do latim e quer dizer “não ver”. O invejoso é um cego interno, que não olha para si, mas somente para o outro. Por isso, o famoso “olho grego”. Rebato o olho ruim com outro olho e o mal está aniquilado.
Quanto mais próxima a relação, maior a chance de inveja. Por quê? Porque é maior o elemento comparativo. Ninguém sente inveja do Silvio Santos. Já do parente que se deu bem.... Como perceber esse pecado capital? Basta reparar no comportamento do invejoso. Ele procura um defeito no invejado, algo que justifique negativamente o seu sucesso. E ele vai achar. Por quê? Porque o invejoso é incansável. Ele procurará nos mínimos detalhes. E, nos mínimos detalhes, todos nós erramos.
Mas, então, como vencemos a nossa própria inveja? Aprenda. Ela não morre estrangulada. A inveja falece por afogamento. Não adianta tentar abafá-la em nosso peito. É preciso encharcá-la com as águas da admiração, transformando-a em uma cobiça positiva, capaz de ser combustível para as nossas próprias conquistas.