11/07/2019
Posted • Imagino que muitos tomaram conhecimento do estudo publicado pelo Kevin Hall e equipe na prestigiosa Cell Metabolism (ver ref. abaixo).
Nesse artigo, os autores demonstram que indivíduos expostos a uma dieta rica em alimentos ultraprocessados comem e engordam mais do que quando expostos a uma dieta rica em alimentos in natura.
Um grupo de pesquisadores levantou uma série de limitações do trabalho, numa carta endereçada à Cell Metabolism. Procedimento usual. É assim que é feita a ciência, da discussão e do contraditório.
Foi o bastante, entretanto, para que começasse a avalanche de ataques dos pouco informados (ou mal intencionados) ao estudo.
Contudo, Kevin Hall rebateu as críticas.
Em contraposição aos argumentos trazidos pelos críticos que tentavam encontrar outros “culpados” para o efeitos observados, o autor esclareceu que:
1) O consumo de fibras solúveis foi maior, e não menor, durante a dieta ultraprocessada.
2) O consumo de proteína e açúcar não foi diferente entre as dietas.
3) A carga glicêmica das dietas foi similar.
Evidentemente, há questões em aberto, com o que concorda o próprio autor do estudo.
Não sabemos ainda, por exemplo, os mecanismos pelos quais os alimentos ultraprocessados aumentam o consumo energético, se os efeitos nocivos vistos no curto prazo persistem ao longo do tempo, ou se os achados são generalizáveis para diferentes populações.
Kevin Hall também faz um apelo para a boa ciência e o fim da “guerra nutricional”. Toda guerra, contudo, tem motivos não declarados.
Como costumo dizer, o cerco contra os ultraprocessados está se fechando. Sua indústria resiste, como resistiu a tabagista no século passado.
Aos profissionais e “influencers” (L) que em prol dos ultraprocessados advogam (ainda que sutil e quase que envergonhadamente), quase sempre com argumentos reducionistas, perniciosos e/ou contemporizadores, ficam duas perguntinhas: 1) “Você tem relação com a indústria?” e “Você leu o Guia Alimentar para a População Brasileira?” Deles, dificilmente ouviremos “Não” e “Sim”. Voltaremos ao tema, certamente. Prof. Dr. Bruno Gualano