19/02/2026
Já escrevi sobre isso outras vezes. E, infelizmente, aqui estou novamente.
Mais um episódio de racismo no esporte. Outra vez, envolvendo Vinícius Júnior, agora em Portugal. E ao que se denota, com palavras saídas da fétida boca do lateral argentino que nem o nome se compensa mencionar.
Mas confesso: finalmente entendi tudo.
Ouvi o multicampeão treinador do Benfica, José Mourinho, e percebi o meu erro. A culpa é do Vini. Claro. Evidente. Cristalino.
Ele não comemora gols de maneira comedida.
Veja bem: o rapaz mete um golaço na gaveta, desmonta a defesa adversária, decide jogo grande… e ainda tem a audácia de sorrir. Pior: às vezes dança. Demonstra alegria. Vibra.
Ora, se ele ousa celebrar o próprio talento com espontaneidade, então está mais do que “justificado” que jogadores e torcedores reajam com ofensas ra***tas, certo?
É isso mesmo?
Se o atleta é alegre demais, provoca.
Se responde em campo, incomoda.
Se brilha, afronta.
Se dança, “merece”.
Percebem o tamanho do absurdo?
O racismo nunca foi sobre a comemoração. Nunca foi sobre a dança. Nunca foi sobre “postura”. É sobre cor. É sobre intolerância. É sobre a incapacidade de aceitar que um jovem negro, talentoso, confiante e protagonista ocupe o lugar que conquistou com trabalho e mérito.
Transferir a responsabilidade do agressor para a vítima é um truque retórico antigo. E perverso.
Daqui a pouco vamos dizer que o problema não é o ra***ta — é o sorriso de quem venceu.
O esporte deveria ser o espaço máximo de celebração da excelência humana. Quando ele vira palco para justificar preconceito com base em “excesso de alegria”, algo está profundamente errado.
E sim, é difícil escrever sobre isso sem desfiar palavrões.
Mas talvez a resposta mais poderosa continue sendo a mesma: mais gols. Mais dança. Mais brilho.
Porque o que incomoda não é a comemoração.
É quem está comemorando.
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