24/03/2022
Evidências crescentes indicam que esse tipo de dor muscular tem origem em lesões microscópicas nas fibras musculares. Esse tipo de lesão resulta em uma cascata lenta de eventos biomecânicos que levam ao desenvolvimento de inflamação e edema nos músculos lesionados. Como esses eventos se desenvolvem lentamente, a dor decorrente em geral não aparece antes de 24-48 horas após o exercício. As evidências atuais sugerem que a dor muscular de início tardio ocorre da seguinte maneira:
(1) contrações musculares vigorosas (especialmente contrações excêntricas) resultam em lesão estrutural no músculo (i. e., ruptura de sarcômeros);
(2) ocorre lesão de membrana, inclusive nas membranas do retículo sarcoplasmático;
(3) o cálcio extravasa do retículo sarcoplasmático, acumulando-se nas mitocôndrias, o que inibe a produção de ATP;
(4) o acúmulo de cálcio também ativa enzimas (proteases), que degradam as proteínas celulares, inclusive as proteínas contráteis;
(5) a lesão das membranas combina-se com a degradação das proteínas musculares, resultando em um processo inflamatório, que envolve um aumento na produção de prostaglandinas/histamina e na produção de radicais livres;
(6) o acúmulo de histamina e o edema circunjacente às fibras musculares estimulam terminações nervosas livres (receptores de dor), resultando na sensação de dor no músculo.
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Fonte: Powers, Scott K. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho.