05/12/2019
Este é apenas um relato em meio à multidão de torcedores. É apenas mais um coração que bateu em mil ritmos diferentes em quase 10 anos amando o Fortaleza Esporte Clube. Apenas uma carta aberta aos muitos nomes que estão vindo à minha cabeça quando penso nos responsáveis pelas últimas sucessivas alegrias que este time tem me dado. Apenas um muito obrigado em palavras mais demoradas.
Este é o relato de uma torcedora cujo coração despertou para este amor em 2010, observando sozinha e extasiada o clássico-rei em que o Fortaleza conquistava, após defesa de pênalti do goleiro Fabiano, o tetracampeonato estadual. Uma menina que se pegou amando aquele time a partir daquele momento, como em um passe de mágica. Alguém que se impressionou com as cores, vivacidade da torcida, com a mística daquelas camisas.
Eu tinha 12 anos. Como o mundo não é perfeito, enquanto descobria as maravilhas do futebol, ao mesmo tempo conheci a situação do time que havia me fisgado por completo: ele estava muito longe do alto escalão do futebol. Muito longe. Em um terceiro nível, em que a realidade eram jogos não transmitidos, adversários enfraquecidos e desanimados, abandono, chacota. Eu descobri que eu, que era do interior, por muitas vezes não poderia sequer assistir aos seus jogos na televisão. Virei pé de rádio mesmo, e tive alguns muitos pequenos infartos.
Aquilo me assustava, mas não desisti. Afinal, eu estava confiante de que aquilo ia passar rápido, ja que em minhas vorazes pesquisas para saber mais sobre minha nova paixão, não restaram dúvidas do tamanho do Fortaleza e de que ele não pertencia àquele lugar.
Não passou rápido. Foi um verdadeiro inferno. Foram muitos jogos que saí do Castelão frustrada, agoniada. Foram milhões de lágrimas. Foi muita gozação, humilhação de torcedores do rival ou de times "grandes" do sudeste. Quando se fala em 8 anos na série C, é até difícil quem é de fora entender isso, pois até eu por vezes me esqueço de que aquele pesadelo consumiu toda a minha adolescência. Eu saí de menina à mulher neste meio, sem nunca negar o que era óbvio, a minha paixão por suas cores.
Eu por vezes perdi as esperanças. Aquilo um dia iria passar? Chegou a um ponto que era inviável de dizer, era tudo incerteza. Mas, novamente, como um passe de mágica, o "pior time dos últimos anos" do Fortaleza nos tirou dali. Nas mãos do ídolo Boeck, com aquela defesa frente ao Tupi que garantiu o acesso, relembrei o início de toda essa história pra mim, escrita nas mãos de Fabiano em 2010.
Eu sempre escrevia sobre os fracassos, a tristeza e melancolia que sentia nos múltiplos acessos perdidos. Mas pra conseguir escrever algo sobre aquele acesso... Só agora. Já se passaram 2 anos! Eu não conseguia, a ficha não caia, eu vivia extasiada com cada jogo na série B. A magníf**a campanha também não ajudava a minha cabeça traumatizada a compreender que tudo aquilo ja havia passado. Era muita novidade, muita alegria seguida! Era incrível ver cada jogador daquele time em 2018 jogar com raça e amor como eu nunca tinha visto, sob a incrível maestria de Ceni. Veio um título Nacional, uma Copa do Nordeste, um Estadual, e eu simplismente não assimilava.
Só agora, se consolidando na série A e jogando a Sulamericana próximo ano, com uma equipe que verdadeiramente foi combativa, aguerrida, vibrante e forte, eu entendi tudo que aconteceu. Eu me acostumei a sorrir, a vencer. E esta carta é pra cada um de vocês que me trouxe a alegria que eu nunca tinha sentido antes. Cada um dos responsáveis pelo meu sorriso: dirigentes, comissão técnica, jogadores, funcionários em geral, torcedores. Apenas uma coisa a dizer: muito obrigada!
Agora, apenas aguardo escrevermos juntos os próximos capítulos desta história que não para de me surpreender: A história do time que nasceu pra ser campeão.
Texto por Nathália Simões.