03/02/2025
Durante séculos, a medicina tem dividido as noções de saúde em dois terrenos específicos: a mental e a física, com especialistas e estruturas separadas para tratar as duas facetas do organismo. Mas a crescente proporção de tratamentos integrados mostra que esta divisão pode cair por terra.
Nos últimos anos, a separação entre as categorias tem se provado menos adequada, seja por pacientes com problemas físicos que manifestam alterações de seu comportamento psíquico (como pessoas com câncer de cérebro que sofrem mudanças de personalidade) ou por indivíduos com dores físicas que parecem surgir na mente (como a fibromialgia, já categorizada entre as piores dores do mundo, que pode ter origem em traumas e estresse crônico).
Por isso, cada vez mais profissionais da saúde têm sustentado que a divisão entre saúde física e mental não funciona no organismo.
“Mesmo quando pensamos em males exclusivamente físicos, podemos ter quadros tão incômodos e prolongados que é impossível pensar que o paciente tenha o bem-estar mental intocado ao tratar deles. Por isso, boa parte do tratamento de dores agudas, por exemplo, costuma envolver também o psíquico”, explica o anestesiologista Carlos Marcelo de Barros, presidente da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED).
Os médicos também apontam que não faz sentido pensar uma categoria separada de confinadas apenas à . Condições conhecidas por seu impacto mental, como a depressão, envolvem mudanças neurobiológicas no funcionamento do cérebro.
Até um mal-estar que parece ser puramente psíquico, como o luto pela perda de um amor, pode levar a mudanças físicas do funcionamento do organismo nas chamadas manifestações psicossomáticas.