03/08/2026
> Encontrar alguém disposto a pagar o preço para se tornar lutador nunca foi fácil. Quando somos jovens na profissão, queremos que nossos discípulos comprem nossos sonhos e subam ao ringue, mas a realidade é implacável — tanto para quem treina quanto para quem comanda a lona.
> Chega um momento em que o cansaço mental pesa. A cada desistência, acumula-se uma nova frustração. Aos poucos, o brilho nos olhos diminui e aquela chama que nos movia começa a se apagar.
> Quem já sentiu a atmosfera da competição sabe: o grande sonho de todo treinador raiz é montar sua própria equipe e forjar atletas de verdade. As aulas comerciais pagam as contas — são o sustento, é verdade —, mas não alimentam a alma de quem viveu a essência da luta. Elas dão o ganha-pão, mas não passam disso.
> Acompanhar a evolução de um aluno até vê-lo se transformar em uma máquina de combate é fascinante. O problema é que, na grande maioria das vezes, o caminho é interrompido e o atleta acaba se perdendo ou desistindo no meio do percurso.
> Hoje, minha realidade é outra. Trabalho com personal training e auxilio na preparação física e técnica de atletas em academias.
Faço o meu trabalho, entrego o resultado e sigo em frente — raramente (ou quase nunca) piso em um corner hoje em dia.
> A verdade nua e crua é que o cenário mudou. As preferências do público são outras, as artes marciais perdem espaço na vitrine, e não é raro ver um talento nato que nem chega a pisar no ringue.
> Qualquer esporte exige entrega e disciplina, mas o boxe, o muay thai e o MMA exigem a alma. E isso, definitivamente, não é para qualquer um.
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