24/08/2026
Depois de āsana, vem prāṇāyāma.
E talvez seja justamente aqui que começamos a perceber ainda mais claramente que o Yoga não é apenas uma prática corporal.
No Yoga Sūtra de Patañjali, prāṇāyāma é o quarto dos oito membros do Yoga, depois de yama, niyama e āsana.
Mas prāṇāyāma não significa simplesmente “respirar melhor”.
Patañjali descreve essa prática a partir da regulação do movimento da respiração, envolvendo o fluxo para fora, o fluxo para dentro e a retenção, que se tornam progressivamente mais longos e sutis.
E por que trabalhar com a respiração?
Porque, na tradição do Yoga, respiração e mente estão profundamente relacionadas.
O Haṭha Yoga Pradīpikā afirma:
“Quando o sopro se move, a mente se move; quando o sopro se torna imóvel, a mente também se torna imóvel.”
A respiração, portanto, não aparece apenas como uma função do corpo.
Ela se torna um caminho para trabalhar a própria mente.
Patañjali vai ainda mais longe.
No Yoga Sūtra II.52, afirma que, por meio do prāṇāyāma, o véu que encobre a luz interior é atenuado.
E no sutra seguinte, II.53, diz que a mente se torna preparada para a concentração (dhāraṇā).
Isso muda bastante a maneira como podemos olhar para a respiração durante uma prática.
Não se trata apenas de:
“Quanto ar consigo inspirar?”
ou
“Quanto tempo consigo prender a respiração?”
A questão é mais profunda:
O que acontece com a mente quando o movimento da respiração se torna consciente, regulado e sutil?
No Bhagavad Gītā, o prāṇāyāma também aparece como uma prática na qual os movimentos de prāṇa e apāna são oferecidos um ao outro.
A respiração deixa de ser apenas algo que acontece conosco.
Ela se torna objeto de prática, atenção e transformação.
Por isso, assim como āsana não é uma competição de flexibilidade,
prāṇāyāma não é uma competição de quem respira mais fundo, prende o ar por mais tempo ou executa a técnica mais difícil.
A prática não está simplesmente em controlar a respiração.
Está em refinar a relação entre respiração, atenção e mente.
E talvez seja por isso que, no caminho apresentado pelo Yoga, prāṇāyāma esteja entre o corpo e a interiorização.