12/10/2025
Na maioria das fotos, é sempre meu pai que aparece. Campeão, professor, exemplo.
E minha mãe? Como vocês veem nos stories, ela não gosta de aparecer. Sempre foi discreta, tímida, do tipo que prefere ficar nos bastidores.
Mas hoje quero falar dela.
Enquanto ele viajava o mundo ensinando karatê, ela ficava em casa cuidando de quatro filhos homens. Sozinha, cansada, sem descanso. O sonho dela era dormir até mais tarde no fim de semana, mas às seis da manhã, a casa já estava de pé, no maior barulho.
Ela quase nunca parava. E quando parava, vinha a culpa. O único jeito que ela encontrava pra descansar era inventar uma dor de cabeça, tomar um Alcasélcio (acho que era isso, eu não lembro porque só ouvia algo parecido com esse nome) e se deitar, torcendo pra gente respeitar aquele sono.
Anos depois, vi a mesma cena com a Fabyola: trabalhando, cuidando de casa, dos meninos, e ainda sentindo culpa quando deitava, mesmo exausta.
E percebi que isso não é só delas. Muitas mulheres carregam essa culpa quando descansam. Como se parar fosse errado.
Mas a verdade é que o descanso não é preguiça. Descanso é parte da alta performance.
No esporte, sem descanso não tem vitória. Na vida, sem descanso não tem saúde.
Hoje, tanto minha mãe quanto a Fabyola já aprenderam a descansar. E eu aprendi com elas que força de verdade não é estar sempre ativa, nem aparecer o tempo todo.
Força de verdade é ser quem sustenta tudo, mesmo em silêncio.
E saber a hora de deitar sem culpa.