17/08/2026
Não sei em que momento os incensos passaram a fazer parte do cotidiano no Brasil, mas na nossa casa eu lembro que começamos a usar por volta de 1992. Também nesta época, a minha irmã Flávia (in memorian) e seu marido, já vendiam incensos numa banca embaixo do Viaduto da Borges, mas alguns anos depois, eles se tornariam um grande atacado de Porto Alegre. Neste tempo, eu era menor de idade, trabalhava no ramo das lojas místicas, junto com a minha mãe Maria da Graça (Graça) e fazia feiras místicas itinerantes, com atendimentos de diversos profissionais oraculistas e terapeutas.
Através do atacado de incensos da minha irmã, minha mãe arriscou numa renda extra para ajudar meu pai no orçamento da casa. Com uma cesta recheada de incensos (que veio lá na frente causar problema no ombro dela), entrava nos grandes edifícios de Porto Alegre (como exemplo, a Galeria do Rosário) e ia de porta em porta dos comércios, oferecer os incensos. Ali já vendia muito e minha mãe era uma vendedora nata, sempre trabalhou neste ramo.
Para não se cansar tanto nos prédios, minha mãe decidiu fixar um ponto, que naquela época a SMIC não corria tanto atrás dos ambulantes. Este ponto era em frente ao Renner da Otávio Rocha. Depois de muito tempo, a SMIC proibiu ela de ficar ali. Aí a família toda resolveu trabalhar junto, na grande exposição de ambulantes que ocorria na Rua dos Andradas, a partir das 13h aos Sábados. Já não era somente incensos, outros produtos místicos, entre eles cristais rolados, eram expostos à venda (em pleno auge da chegada das gemas!!!). Na Andradas, em frente ao "corredor 24 horas", era necessário a família toda porque o fluxo de pessoas era intenso, a banca da Graça já era motivo de conflitos porque causava muita inveja dos colegas que também vendiam incenso. E foi a inveja e brigas que fizeram minha mãe e meu pai sairem da Andradas e irem para o Brique da Redenção, Sábados e Domingos, com muita venda!
De lá minha mãe não saiu mais. Foram mais de 30 anos, brigas por alvará pois seu produto não era artesanal (hoje vendem de tudo lá), mas ela possuia um álvara e por isso seguia firme e forte até o domingo 07 de Agosto de 2023, quando passou mal lá mesmo, aos 73 anos (continua nos comentários)