21/07/2026
Uma carta aberta de amor, ao yoga, e ao movimento sadahka.
Na minha primeira prática no parque, cheguei com todo meu ego, distrações, preconceitos, desconfianças, uma criança assustada, um adulto julgador.
Fui apenas atrás de alguns alongamentos, em um domingo de manhã, logo eu, que detesto acordar cedo. Mal sabia eu, que acordaria nos próximos domingos, por semanas, meses e agora por quase dois anos. E nos poucos domingos que não acordei fiquei com aquela sensação, sabe? Aquela que você deveria ter feito, ia me fazer bem, mas a preguiça venceu.
Nada fez sentido nas primeiras vezes, era difícil de mais me concentrar, tudo era julgamento, tudo era "besteira", mas no próximo domingo eu estava lá, de novo. E se não tinha prática porque choveu ou esfriou, ficava um vazio.
O mesmo vazio dos meus dias de semana, que eu preenchia com besteiras, televisão, qualquer distração que não precisava de esforço.
O yoga ensina no silêncio.
Ensina sem impor respostas.
Vai retirando, camada por camada, aquilo que não somos, ensinando a silenciar as distrações, a se reconhecer como parte do divino. A ser o observador.
Foi assim que encontrei muito mais do que uma prática.
Me reencontrei, encontrei pessoas. Encontrei comunidade. Encontrei um lugar onde não era preciso provar nada para ninguém.
O Movimento Sādhaka me mostrou que a transformação não acontece só em grandes acontecimentos, mas na coragem de voltar. De estender o tapete mais uma vez. De sentar em silêncio mais uma vez. De respirar mais uma vez.
Hoje percebo que eu nunca fui ao parque apenas para praticar Yoga.
Eu ia para me encontrar.
E continuo indo.
Porque, às vezes, tudo o que precisamos é de um domingo de manhã (com sol de preferência), um tapete no chão e pessoas dispostas a caminhar juntas, lembrando umas às outras daquilo que jamais deveria ser esquecido: a presença.
Com amor e gratidão,
Pedro Loureiro
"Que todos os seres sejam felizes.
Que todos estejam livres de doenças e sofrimentos.
Que todos vejam o que é auspicioso.
Que ninguém sofra ou experimente a miséria."