23/05/2023
Mais Alves e Nabucos
Meus amigos,
Este final de semana a La Liga , mais uma vez, viu-se personalizada na torcida do Valência, no centro da Comunidade Valenciana, à beira do Mar Mediterrâneo, a imagem do seu presidente, Javier Tebas, um extremista direitista, apoiador do Vox, partido de ultra direita, herdeiro do ditador Francisco Franco.
O moleque preto, sulamericano, brasileiro, Vinícius Júnior ou Vini Jr como é carinhosamente chamado, foi vítima de racismo por parte dos anfitriões espanhóis. Pela enésima vez, o Vini Jr foi chamado de macaco e xingado por idiotas que ainda acreditam que são colonizadores escravocratas, e, que lugar de negro é na casa grande, servindo-os. Como pode um menino que só quer jogar futebol (bailar) e sorrir com seus marfins ser tão odiado ?! Por que com ele ?!
Porque ele é negro.
Na cabeça dos colonizadores, falidos moralmente, um moleque preto, da favela do Rio de Janeiro, não pode ser protagonista do maior time do planeta. A única forma de parar com esta poesia recitada em dribles e assistências para gols é desastabilizá-lo emocionalmente. No começo não funcionou, Vinícius os ignorou e seguiu bailando. Entretanto, como lhe corre sangue às veias, perdeu a cabeça - justamente - e partiu para o embate, apontando os criminosos, olhando-os nos olhos, no final de semana. Parece que a atitude do atacante do Real Madrid despertou o mundo para o racismo, que vemos todos os dias.
Vinícius Jr mostra que seus dribles, na verdade, são golpes de capoeira, contra o racismo que envergonha (deveria envergonhar) toda sociedade. Torço que seu companheiros de Madri abracem a causa e levantem a bandeira contra o racismo e quaisquer tipos de discriminação.
Já avisei pros meus filhos: sejam fortes !
Adriano Araújo