Conta a história que tudo começou lá pelo fim dos anos 70 e inicio dos 80 na cidade de Brasília-DF, quando Zé Cadima ou Zé do Pedal montou uma bicicleta a partir de uma Monark Monareta Gemini 69, que na época era chamada de “quadro fino” pois o tubo do quadro era mais fino que o das Monaretas 79/80. A modificação se dava utilizando uma coroa de 56 dentes, pedais tipo “picolé”, freio contra-pedal
“Favorit” e o banco da Caloi 10, que era estrategicamente acrescido de um olho-de-gato da motorcicleta Yamaha RD 350 afixado na parte de trás. O guidão e a mesa eram da Caloi Berlinetinha 70/71 e os aros de aluminio vinham da Caloi Fórmula-C , que só sairam na versão 73. Assim estava pronta a bicicleta que pela aparência magra e alta foi apelidada de “Camelinho” e logo depois se tornou a Nuvem, adquirindo grande popularidade pela sua originalidade, seu estilo e pela lenda de ter uma performance melhor que as bicicletas de velocidade da época. Os anos se passaram e, mesmo com as evoluções tecnológicas das bicicletas, as Nuvenzinhas sobreviveram nos PCs dos blocos e nos famosos rolezinhos pelas ruas do Distrito Federal, sendo montadas artesanalmente a partir do molde do quadro das antigas Monaretas em algumas oficinas do DF, como em Sobradinho pelo talentoso Filé (Filemon), e comercializadas até hoje por várias lojas da cidade. A princípio marginalizadas e taxadas como "bicicleta de maconheiro", posteriormente adquiriram um status de "cult" e atualmente podem ser vistas de forma discreta nas ruas, no Parque da Cidade, no Eixão ou na paralela das quadras, compondo a paisagem candanga em meio ao concreto e ao cerrado da capital, resistindo ao tempo e se afirmando como um genuino patrimônio brasiliense.