11/06/2025
Trocar o certo pelo duvidoso
Ela diz que não dá certo com homem nenhum,
mas às vezes ela escolhe o errado —
não o errado de maldade,
mas o errado que brilha mais que o certo,
que parece ter um magnetismo louco,
aquele toque de caos que assusta e fascina.
O homem errado é o cafajeste que sabe falar,
que sabe virar noite em poesia e promessa,
que chega com o sorriso torto e o jogo de cintura,
mas esquece que, no fim,
palavras são só vento,
e vento não aquece alma.
O homem certo, esse sim, é diferente.
É simples, sabe?
Não tem a lábia afiada, nem o jeito de conquistador,
ele tropeça nas palavras, fala manso, quase tímido,
não oferece mundos encantados, mas oferece o chão —
um chão firme onde o coração pode pousar.
Ela troca o porto seguro pelo mar revolto,
buscando tempestades onde o amor deveria ser calmaria.
Não porque o certo não é desejável,
mas porque o duvidoso grita mais alto na confusão dos desejos.
Mas no silêncio daquele homem simples,
há uma força que não precisa de espetáculo,
uma verdade que não se vende nem se mascara.
E talvez seja aí que ela precise olhar:
não no fogo que queima rápido,
mas no fogo que aquece devagar.
Trocar o certo pelo duvidoso é a dança de quem ainda aprende
que o amor não é uma peça de teatro,
mas uma dança sincera, feita de passos lentos,
de abraços que não têm roteiro.
E o homem certo?
Ele espera — paciente, simples, verdadeiro —
o momento em que ela possa, enfim,
ver o que sempre esteve ali,
escondido no jeito manso de amar.
Obs: A verdadeira escolha é reconhecer no simples a força de um amor duradouro.